
Postado dia 06/04/26 | 3min. de leitura
Trio elétrico: símbolo do Carnaval de Salvador vira patrimônio
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O trio elétrico é um dos expoentes da baianidade e sua importância há muito extrapolou o carnaval de Salvador. Com ele, a maior festa de rua do mundo ganhou contornos de “pop star”, além de características únicas que, com o tempo, passaram a ser “exportadas” para outros lugares da Bahia, do Brasil e do mundo.
Continue conosco e saiba mais sobre esse tão importante patrimônio baiano!

História do trio elétrico: resumo dos principais momentos
O carnaval é uma festa popular mundial e sua origem remonta a até 10 mil anos, sendo praticada desde as civilizações mesopotâmicas.
Em Salvador, a prática foi introduzida pelos portugueses, como uma brincadeira de rua onde populares jogavam água, perfume e farinha uns nos outros.
Porém, foi somente no final do séc. XIX que a festa se tornou oficial, quando o evento passou a ser organizado pela prefeitura e surgiram carros alegóricos e festas privadas em clubes.
Os Afoxés foram os primeiros blocos de matriz africana e surgiram em 1895, quando levaram a cultura e os ritmos do candomblé para as ruas.

Em 1950, o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas estava a caminho de uma apresentação no Rio de Janeiro e fez uma escala em Salvador, sendo convidados pela prefeitura a realizar uma apresentação. Ao desfilar pelas ruas da cidade, foram acompanhados por uma multidão em grande algazarra, quando um dos seus músicos se feriu em meio aos populares.
Tal acidente foi suficiente para que os músicos baianos Dodô e Osmar Macedo percebessem a necessidade de adaptar um automóvel Ford 1929, para que pudessem desfilar nele tocando músicas pelas ruas da cidade durante o carnaval.
Ligaram um violão e uma guitarra à bateria do automóvel e assim criaram a famosa “fobica”, que fez muito sucesso logo no primeiro ano em que se apresentaram.
Depois trocaram a “fobica” por uma pick-up Chrysler Fargo, onde foi possível acrescentar mais um instrumento, dessa vez uma guitarra tenor tocada por Temístocles Aragão. Estava formado o trio elétrico de Salvador.
Com o passar dos anos, os automóveis foram cada vez maiores foram utilizados, chegando ao formato final por meio de caminhões. Em 1969, a música de Caetano Veloso “Atrás do Trio Elétrico” consagrou os caminhões elétricos com o nome popular.
A folia sobre rodas vai além do carnaval
Além de se consagrar no carnaval soteropolitano, o trio elétrico da Bahia se tornou símbolo nacional, passando a ser utilizado em muitas outras festas e eventos pelo país. Exemplo disso são as micaretas, festejos em estilo carnaval que são comemorados em outras datas ao longo do ano. Inicialmente, elas aconteciam pelas cidades do interior baiano, mas logo se tornaram produto “exportação” e passaram a ser realizadas em diversas cidades pelo país.

Atualmente, o trio elétrico é utilizado em eventos de grande comemoração popular, como títulos de clubes de futebol, de atletas de olímpicos, ou tudo o que mereça destaque e grande adesão popular. Também é o equipamento mais utilizado por políticos em grandes comícios durante campanhas eleitorais.
Assim, onde tem essa estrutura móvel, há a certeza de música, alegria e diversão, sendo o mesmo um símbolo cultural baiano que se tornou também um marco nas transformações da música popular brasileira. Hoje, quase todos os artistas e músicos brasileiros já tocaram em trios elétricos, e quando não, certamente o desejam como forma de alavancar as carreiras.
O trio elétrico é patrimônio de Salvador
E tanto sucesso não poderia dar em outra: o trio elétrico se tornou, no dia 05 de março de 2026, Patrimônio Imaterial Cultural e Histórico da Cidade de Salvador. A lei foi sancionada pelo prefeito da cidade e imortaliza a estrutura musical juntamente com outros expoentes baianos como as baianas de acarajé, a capoeira e o grupo musical Olodum.
Vale lembrar que este reconhecimento visa salvaguardar a tradição, mantendo-a em pleno funcionamento e cuidando para que o trio elétrico nunca deixe de se apresentar ao público.
Também têm grande relevância para o turismo, lembrando que o Carnaval de Salvador recebeu cerca de 1,2 milhões de turistas somente em 2026. E não dá para imaginar tudo isso sem os trios elétricos, não é mesmo?
Agora que você já sabe um pouco mais sobre o trio elétrico, bem como sobre seu recente reconhecimento como Patrimônio Imaterial Cultural e Histórico da Cidade de Salvador, conheça também a Casa do Carnaval da Bahia, um lugar extraordinário para quem deseja conhecer mais a fundo sobre essa festa magnânima em nosso estado.
