
Postado dia 12/09/26 | 8min. de leitura
Itaetê: Confira as suas 3 principais atrações
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Itaetê é um município situado na Chapada Diamantina, região que chama a atenção pelas belezas naturais e potencial para o turismo de aventura na Bahia.
Atualmente conhecida como “cidade das grandes cachoeiras”, este destino ainda pouco conhecido se apresenta com infinitas possibilidades de trilhas, poços de águas azuis e, claro, imensas cachoeiras.

Se você pretende passar alguns dias no município, é preciso mencionar que, apesar de simplório, ele oferece pousadas rurais próximas a alguns atrativos e infraestrutura mínima para os viajantes.
Quer saber mais sobre os pontos turísticos de Itaetê? Continue a leitura e confira!
História de Itaetê: chegada da estrada de ferro
Situada às margens do Rio Paraguaçu e muito próxima de cidades que compõem a Chapada Diamantina Meridional, a história de Itaetê é intrinsecamente ligada ao avanço das ferrovias pelo interior baiano.
O contexto remonta ao final do século XIX e início do século XX, período em que a expansão da malha ferroviária atuou como o principal vetor de urbanização e integração econômica do sertão baiano.

A Estrada de Ferro Central da Bahia (EFCBH) foi a primeira ferrovia da região, construída para levar as colheitas e os minérios do sertão até Salvador. O primeiro trecho local começou a funcionar em 1887, de Queimadinhas até Bandeira de Melo.
Durante muitos anos, a linha de trem terminava ali, na beira do Rio Paraguaçu, que se tornou o grande ponto de escoamento de tudo o que era produzido na área.
Enquanto a região se desenvolvia, o pequeno povoado de Tamanduá, que mais tarde viraria Itaetê, começava a ganhar seus primeiros comércios. A principal transformação veio apenas em 1923, quando os trilhos avançaram 34 quilômetros a partir de Bandeira de Melo e a estação de Tamanduá foi inaugurada como ponto final do trem.
A ferrovia a vapor acelerou o comércio local e colocou o distrito na rota da futura Viação Férrea Federal Leste Brasileiro (VFFLB), que unificou importantes linhas férreas, como a Estrada de Ferro Bahia ao São Francisco e a própria Estrada de Ferro Central da Bahia.
Com o agito e o desenvolvimento trazidos pela nova estação, o povoado ganhou força política e, nas décadas seguintes, foi emancipado como uma cidade independente.

Ligação da estação com o nome atual da cidade
A estação foi inaugurada com o nome “Itaitê”, mas o povoado ainda era conhecido como Tamanduá. Em 1927, passou a se chamar Iguaçu, e foi justamente o letreiro Itaitê escrito na estação que motivou a mudança em definitivo do nome da localidade, que em 1943 passou a se chamar Itaetê.
Cronologia Ferroviária e Política
1887: A Estrada de Ferro Central da Bahia inaugura o ramal partindo de Queimadinhas até Bandeira de Melo, primeira grande aproximação férrea da região.
1923: O ramal é prolongado em 34 quilômetros. A estação terminal é estabelecida no povoado Tamanduá, alterando drasticamente sua dinâmica econômica.
1927-1943: O povoado é elevado à condição de distrito de Andaraí com o nome de Iguaçu em 1927. Seu nome foi alterado definitivamente para Itaetê em 1943. Em tupi, o termo “Itaetê” significa "pedra verdadeira" ou "pedra dura".
1961: Já consolidada economicamente pela infraestrutura ferroviária, Itaetê é emancipada e se torna um município independente.
1975: Com o aumento do transporte rodoviário e a queda no uso dos trens, o ramal de Itaetê foi oficialmente desativado em dezembro de 1975.
Bibliografia
IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Itaetê: História & Fotos. Rio de Janeiro: IBGE.
SANTOS, J. Caminhos de ferro na Bahia: a expansão ferroviária e a integração do território. Salvador: EDUFBA, 2011.
AZEVEDO, Paulo Ormindo David de (coord.). IPAC-BA: inventário de proteção do acervo cultural da Bahia. Salvador: Secretaria da Indústria e Comércio e Turismo: 1975-2002. 7 v
O que fazer em Itaetê: 7 lugares imperdíveis
1. Poço Encantado
O Poço Encantado é, certamente, uma das grandes atrações de Itaetê e um dos atrativos mais visitados em toda a Chapada Diamantina. Estou falando de uma gruta que abriga um lago subterrâneo de águas incrivelmente cristalinas, com mais de 60 metros de profundidade.

A água é de um azul tão transparente que o turista consegue visualizar perfeitamente o fundo do poço, repleto de pedras e troncos antigos, criando uma ilusão de ótica fascinante em que a água parece quase invisível.
O grande espetáculo que o visitante pode presenciar é o famoso fenômeno do raio de sol, que ocorre entre os meses de abril e setembro. Nessa época do ano, a luz solar entra por uma fresta da caverna em um ângulo perfeito, batendo na água e acendendo o lago com um tom de azul elétrico e luminoso.
É importante destacar que o passeio é exclusivamente contemplativo, já que o banho não é permitido para preservar o delicado ecossistema e a clareza da água. Mas a beleza surreal do cenário rende fotografias incríveis e uma experiência inesquecível de conexão com a natureza.
O acesso ao Poço Encantado a partir do centro de Itaetê é prático e bem sinalizado, cobrindo uma distância de aproximadamente 24 quilômetros. O trajeto é feito predominantemente por uma estrada de terra e a viagem costuma durar cerca de 40 minutos de carro.
2. Gruta da Lapa do Bode
A Gruta da Lapa do Bode é mais um dos fascinantes atrativos espeleológicos localizados no município de Itaetê. Diferente dos poços de águas cristalinas, essa caverna impressiona por sua grandiosidade geológica, abrigando amplos salões secos e uma notável variedade de formações rochosas milenares.

Ao explorar o seu interior, o visitante se depara com um imponente conjunto de estalactites, estalagmites e colunas calcárias esculpidas pela ação da água ao longo do tempo, criando um cenário subterrâneo de grande beleza e mistério.
Conhecer a Lapa do Bode é uma aventura perfeita para quem quer um contato mais rústico e profundo com a natureza.
Como é uma caverna mais "selvagem" e sem muita estrutura turística, você só pode explorar os seus corredores usando lanternas e com a presença obrigatória de um guia local. Isso garante a sua segurança na caminhada pelo escuro e deixa o passeio muito mais interessante, já que o guia explica como aquele lugar se formou.
Além do visual impressionante das pedras, a gruta guarda um tesouro biológico muito especial. Ela é a casa de um besouro endêmico, conhecido como “besouro cego”, uma espécie rara, curiosa e totalmente adaptada à vida na escuridão.
3. Cachoeira da Encantada
A trilha que leva até a majestosa Cachoeira da Encantada começa a partir do distrito de Colônia, localizado na zona rural de Itaetê.
O percurso possui alto grau de dificuldade, em razão de mergulhar profundamente no cânion e acontecer saltando pedras pelo leito do rio. Mas a recompensa é certa, não apenas pela cachoeira em si, que é magnânima, mas também por tudo o que é possível ser apreciado no caminho.

A trilha até a Cachoeira da Encantada é única, selvagem e praticamente deserta o ano inteiro, diferente dos trekkings mais famosos da Chapada Diamantina, como o Vale do Pati. Nela, o visitante é literalmente abraçado por uma densa e preservada vegetação de mata ciliar, que oferece um frescor especial na forma de microclima e emoldura magnificamente o caminho com uma biodiversidade quase que intocada.
À medida que se avança, o cânion vai afunilando e os paredões rochosos de ambos os lados se agigantam, como se debruçassem sobre quem o desafia. É no fundo dessa fenda colossal que a Cachoeira da Encantada finalmente se revela em todo o seu esplendor, despencando incrivelmente de 230 metros de altura.
Em dias com menos volume d’água, dá para atravessar o poço a nado e tomar banho bem embaixo dela.
O percurso total é de 12 km, sendo 6 km de ida e 6 km de volta. O grau de dificuldade é médio em dias de sol e difícil quando chove, quando as pedras do leito do rio ficam super escorregadias e exigem muito cuidado e perícia para transpô-las.
4. Cachoeira do Herculano
A Cachoeira do Herculano se revela como um dos espetáculos mais imponentes e inesquecíveis da Chapada Diamantina.

Em período chuvoso, apresenta três grandes cachoeiras que despencam em queda livre de 100 metros de altura. Além disso, há em seu poço central uma caverna de onde é possível observar uma das quedas d’água por dentro. Tal cenário é único e proporciona uma das mais emblemáticas fotografias da Chapada.
Apesar de curta, a trilha que leva até a Cachoeira do Herculano não deve ser menosprezada. O percurso, que possui 4 km de ida e retorno, revela paisagens incríveis e, assim como a trilha da Cachoeira da Encantada, inicia no povoado de Colônia e acontece pelo leito de um rio. Portanto, se estiver chovendo, pode esperar muita dificuldade ao percorrê-lo.
5. Cachoeira da Roncadeira

A aventura rumo à Cachoeira da Roncadeira também começa em Colônia e segue de carro até o ponto inicial da trilha, que possui 8 km entre ida e volta. É mais uma cachoeira da região que mergulha em um cânion belíssimo e cujo percurso é quase todo pelo leito do Rio Roncador. Por isso, pode esperar dificuldade, que piora muito se estiver chovendo.
Conforme a trilha avança pela mata e pelo cânion, chega-se a um ponto em que é preciso realizar uma pequena travessia com os pés na água. Mais adiante, ela surge de forma espetacular, roncando pela imensidão de pedras e proporcionando mais um espetáculo genuíno de Itaetê.
6. Cachoeira Bom Jardim

Diferente das demais cachoeiras da região, a do Bom Jardim oferece uma trilha tranquila, com um trecho por dentro da mata e outro a céu aberto. A caminhada é quase toda plana, com algumas subidas curtas que não chegam a assustar os menos preparados fisicamente, apesar dos seus 11 km de extensão total (ida e volta).
A chegada ao destino é espetacular, revelando a cachoeira pelo alto e entregando uma vista frontal maravilhosa da queda d'água. Considerada o melhor balneário da região, a atração recebe muita luz solar, criando o ambiente perfeito para um banho regenerador.
Por isso, se você pretende explorar todas as cachoeiras de Itaetê em sua viagem, deixe a do Bom Jardim por último e ela será a sua recompensa!
7. Cachoeira da Invernada

Completando o impressionante circuito de grandes cachoeiras de Itaetê, o passeio que leva até a Cachoeira da Invernada inicia no assentamento Rosely Nunes, que fica a 25 km da sede do município.
A partir desse povoado, são ainda 15 km de carro até o ponto onde a trilha começa, que, por sua vez, possui 6 km no total (3 km de ida e 3 km de retorno).
O percurso oferece surpresas logo nos primeiros passos, atravessando antigas porteiras e áreas de vegetação.
Durante a trilha, o visitante é presenteado com uma parada estratégica na Pedra do Descanso, que guarda pinturas rupestres muito antigas. A trilha ainda reserva alguns mirantes que proporcionam vistas deslumbrantes. Ao final, a imponente cachoeira de 60 metros de altura se revela, sendo mais um encanto da natureza de Itaetê.
Como chegar em Itaetê
A cidade de Itaetê, na Chapada Diamantina, está a 157 km de Lençóis, a 60 km de Andaraí, e a 64 km de Mucugê, três cidades históricas que remontam à época da exploração do diamante na Bahia.
Partindo de Salvador, são 386 km de distância, que devem ser percorridos inicialmente pela BR-324 até Feira de Santana. De lá, é preciso seguir pela BR-116 até o entroncamento com a BA-046, pouco antes de Milagres. Ao final dela e já na cidade de Iaçu, o percurso segue pela BA-045 até Vargem do Dantas, e depois finaliza na BA-131, que vai até Itaetê.
Onde se hospedar em Itaetê
Nossa dica de ouro é a Pousada Aconchego, da querida Dona Landinha, que fica no assentamento de Colônia.
Ela trata todos os seus hóspedes como familiares, serve café da manhã de fazenda e outras refeições deliciosas. Após tantas trilhas pesadas, comer bem e dormir bem é fundamental, lembre-se disso!
Porém, se a sua base na Chapada Diamantina for a cidade de Lençóis, saiba que mesmo assim é muito fácil explorar a região de Itaetê. De lá, parte um passeio de quatro dias e três noites focado nas grandes cachoeiras dessa região. Confira! É a chance perfeita para desbravar paisagens maravilhosas, unindo o lado selvagem da natureza com a comodidade e a ótima estrutura de Lençóis.
Por Márcio Vasconcelos de O. Torres
Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com
