
Postado dia 13/09/26 | 4min. de leitura
Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento em Rio de Contas
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A Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento em Rio de Contas faz parte da própria história da cidade. O templo religioso remonta a meados do séc. XVIII, quando a mineração aurífera na região tomava proporções e a atual cidade de Rio de Contas começava a ser construída.
Neste artigo, você vai conhecer sua importância histórica e religiosa, mas também alguns detalhes sobre as características arquitetônicas e relevância dentro do conjunto histórico deste tão belo município da Chapada Diamantina.
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A Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento é a alma de Rio de Contas
No coração da Chapada Diamantina Meridional, a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento é um dos mais destacados monumentos da principal praça de Rio de Contas, que, não à toa, se chama Praça da “Matriz” Maestro Esaú Pinto.
Seu simbolismo não é representado apenas pelo aspecto religioso, mas especialmente em razão de ter sido o principal pilar da formação da sociedade local.
Erguida no ponto mais alto da praça, ela estabelece uma bela conexão visual e histórica com a antiga Casa de Câmara e Cadeia, que, por sua vez, está posicionada de maneira frontal na outra extremidade.

Essa disposição não era por acaso: representava o equilíbrio entre os poderes divino e civil, pautados na organização institucional portuguesa que estruturou a vida e a identidade do povo rio-contense durante o período colonial.
Engrenagem da construção de Rio de Contas
A tese de que a Matriz foi o grande motor civilizatório da região se sustenta em sua própria origem. A ocupação desse território ganhou contornos oficiais no início do século XVIII com a criação, em 1718, da primeira freguesia da região: a atual Vila Portuguesa do Mato Grosso, um povoado de Rio de Contas.
A freguesia ainda viria a mudar de lugar duas vezes, sendo a primeira descendo a serra e se formatando com o nome de Nossa Senhora do Livramento das Minas do Rio de Contas, a atual cidade de Livramento de Nossa Senhora.
No entanto, foi em 1745 que uma ordem direta ao Vice-Rei determinou a mudança da freguesia para um novo local, definindo expressamente onde deveria ser erguida a nova igreja.

Ao mudar o nome da paróquia para Santíssimo Sacramento das Minas do Rio de Contas, a Coroa fixou o centro da vida comunitária. Em torno da construção desse templo, que em 1779 já recebia visitas oficiais de inspeção, a sociedade de Rio de Contas floresceu, organizando-se urbana e politicamente e consolidando sua importância no auge da mineração aurífera na Bahia.
Contradições em torno da Igreja Matriz de Rio de Contas
Talvez a grande contradição dessa história de riqueza e poder esteja no projeto grandioso do templo, que ficou inconcluso pela fragilidade econômica da época. Pelos vestígios deixados nas grossas paredes e alicerces, a planta original previa uma estrutura colossal, com corredores laterais e galerias superiores, algo digno das maiores cidades desse tempo.

Mas o fim do ciclo do ouro impôs uma dura realidade. O edifício do final dos anos 1700 nunca foi concluído como planejado. Ao longo do século XIX, documentos revelam uma luta constante contra a ruína, o que pode ser observado em cartas de 1848 e 1849, escritas por padres e autoridades que imploravam à Província por verbas para consertar telhados apodrecidos, forros e altares em "estado deplorável".
A passagem do tempo também cobrou seu preço na arte: em 1938, a antiga pintura arredondada que cobria o teto da nave principal precisou ser substituída por um teto plano comum. E é justamente da síntese entre o projeto grandioso e a realidade imposta pelas dificuldades econômicas que nasce o imenso valor da Igreja Matriz.
A sua incompletude não a impediu de ser reverenciada, hoje, como um dos mais notáveis exemplares da arquitetura religiosa do sertão baiano.
Essa resistência espelha a própria alma do povo rio-contense, forjado nas adversidades, mas que se mantém firme e altivo. Tais características podem ser atestadas ao observar a harmonia e preservação de todo o Centro Histórico da cidade.
Bibliografia
ARAKAWA, Maria de Lourdes Pinto e. As Minas do Rio de Contas. Salvador: a autora, 2022.
AZEVEDO, Paulo Ormindo de. Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia - Monumentos e Sítios da Serra Geral e Diamantina. v. IV. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo, 1978.
O que ver no interior da Igreja do Santíssimo Sacramento
Para o visitante que chega a Rio de Contas, a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento oferece uma verdadeira viagem no tempo, acessível a qualquer pessoa, sem necessidade de conhecimentos profundos em história da arte.
A imponência da construção já se revela logo da praça central. Sua fachada atrai o olhar para a moldura de pedra esculpida e para a grande porta em arco ladeada por aberturas menores, conferindo ao templo um verdadeiro ar de fortaleza sagrada.
Ao adentrar a igreja, o visitante é envolvido por um cenário de profunda beleza que se revela, primeiramente, no teto curvado da capela-mor. Nele, uma pintura de inspiração italiana cria uma fascinante ilusão de óptica, dando a sensação de um céu se abrindo.
A grandiosidade se repete no altar-mor e nos dois altares laterais, esculpidos em madeira e revestidos em ouro, cujo luxo reflete o auge da mineração na região e remete às suntuosas igrejas de Salvador.
A maestria dos antigos artesãos também pode ser admirada na rica carpintaria espalhada pelo templo, visível nas escadas dos púlpitos, nas grades e no mobiliário da sacristia.
Por fim, a imaginária é composta por importantes imagens de Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora das Dores e do Coração de Jesus.
Visto que você já sabe mais sobre a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento em Rio de Contas, conheça agora a famosa Igreja de Pedra, como é conhecida a Igreja de Nossa Senhora Santana, também parte do lindo Centro Histórico de Rio de Contas.
Por Márcio Vasconcelos de O. Torres
Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com




