
Postado dia 23/04/26 | 4min. de leitura
Entremontes: artesanato e charme às margens do São Francisco
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A linda vila de Entremontes é um verdadeiro achado histórico e cultural para quem se aventura turisticamente pelo Vale do Rio São Francisco, um lugarejo pitoresco que mais parece um cenário cenográfico.
Ao visitá-la, o turista tem a oportunidade de conhecer um pouco da história do sertão nordestino, de visitar monumentos importantes como a Igreja de N. Sra. da Conceição e de conhecer a sede do mais famoso bordado alagoano, que preserva técnicas manuais como o ponto de cruz e o redendê. Continue conosco!

História de Entremontes, Alagoas: principais marcos
Entremontes é um distrito da cidade de Piranhas, mas nem sempre foi assim. Durante os primórdios da colonização portuguesa no Brasil no séc. XVI, iniciou-se a expansão pelos sertões em busca de minérios preciosos, sendo o Rio São Francisco um facilitador desse processo.
Nesse período e no século seguinte, a região do Baixo São Francisco foi povoada pela expansão dos currais de gado, pela catequese jesuítica dos povos originários e pela implantação de vilas.
Tal povoamento, incentivado pela Coroa, tinha por objetivo encurtar a distância entre o litoral e o interior, facilitando as rotas de comércio e o desenvolvimento da estrutura colonial.

A Vila de Entremontes foi, portanto, o primeiro núcleo de ocupação urbana de Piranhas e um dos mais antigos de toda a extensão do Rio São Francisco, sendo datada do séc. XVII. A visita de D. Pedro II em 1859 à vila demonstra sua importância no mapa brasileiro do séc. XIX.
Somente com a introdução da navegação a vapor em 1867, que Piranhas desenvolveu seu comércio e passou a atuar como centro econômico da região, tomando proporções ainda maiores com a chegada da ferrovia em 1881.
Esse desenvolvimento levou Entremontes à perda da condição de distrito e seu território foi então anexado a Piranhas em 1938. No ano seguinte, Entremontes voltou à condição de distrito, sendo oficialmente anexada ao já município de Piranhas, condição que perdura até a atualidade.
Bibliografia
BANDEIRA, Luiz Alberto Moniz. O Feudo: a Casa da Torre de Garcia d’Ávila: da conquista dos sertões à Independência do Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE. História de Piranhas - AL.
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN. História de Piranhas (AL).
MISHINA, Letícia N. C. Piranha Entremontes, Pedra e Cal: o turismo e a conservação integrada em dicotomia no sertão. Dissertação em Arquitetura e Urbanismo - Universidade de Brasília, Brasília, 2023.
O que fazer em Entremontes: 5 lugares para visitar
Primeiro, é preciso saber que o casario colonial de Entremontes é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 2004, sendo sua arquitetura colonial preservada e belíssima. Assim, confira o que ver por lá:
1. Igreja de N. Sra. da Conceição

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição é um marco na vila de Entremontes, tendo sido construída em 1841 pela família Brandão, a mesma que recepcionou D. Pedro II na localidade no ano de 1859.
Nossa Senhora da Conceição é uma das padroeiras do povoado, juntamente com o Nosso Senhor Bom Jesus dos Navegantes, cujas festividades acontecem em 8 de dezembro e em meados de fevereiro, respectivamente.
No interior da igreja, estão sepultados: a matriarca da família, D. Maria Francisca da Conceição Brandão, falecida em 1871; o tenente-coronel Anacleto de Jesus Maria Brandão, o comendador Francisco Henrique Brandão e o padre Mathias José de Santana Brandão.
2. Casas do Bordado

Ao caminhar pelas ruas de Entremontes, é possível perceber que muitas das casas coloniais são moradia e sede do trabalho artesanal de bordadeiras, que ali mesmo comercializam produtos de uma cultura secular transmitida por gerações.
Destaque para o Redendê e o Ponto de Cruz, que já foram publicados em diversos livros e são patrimônio imaterial de Alagoas.
3. Casario Colonial
As ruas de pedra de Entremontes são emolduradas por casinhas muito antigas que preservam a originalidade e a antiguidade desta vila. Nos primórdios, muitas delas foram armazéns onde se guardavam mercadorias que circulavam pelo Rio São Francisco entre Penedo e Entremontes.

4. Caminho do Imperador
É o trecho entre o rio e o centrinho da vila, que ilustra o caminho percorrido por D. Pedro II, quando estava em visita à vila em 1859. Foi neste momento que o monarca, segundo a tradição oral, teria nomenclaturado a vila como “Entremontes” ao observar a vila posicionada entre serras.
5. Casa de D. Pedro II

Ao regressar da Cachoeira de Paulo Afonso, D. Pedro II navegou pelo Rio São Francisco e no dia 22 de outubro de 1859, desembarcou em Entremontes, pernoitando na casa do Major Henrique Brandão.
Por esta razão, a edificação ficou conhecida como Casa de D. Pedro II, local onde atualmente funciona uma mercearia.
Entremontes: como chegar
Entremontes fica no estado de Alagoas, sendo possível acessá-la por Paulo Afonso, na Bahia, e pela cidade de Piranhas, em Alagoas. Para quem vai por Paulo Afonso, são cerca de 94 quilômetros percorridos pelas rodovias BA-210, BR-423, AL-220 e AL-225.
Uma ótima dica, porém, é ir até lá pela Rota do Cangaço, passeio de lancha que sai de Piranhas e percorre o Rio São Francisco até Entremontes. A rota ficou assim conhecida em razão de parte do percurso ter sido utilizada pela volante alagoana, que surpreendeu o bando de Lampião na Grota do Angico, levando-o à morte juntamente com sua esposa Maria Bonita e alguns outros cangaceiros do bando.

Vale lembrar que este passeio oportuniza conhecer as belezas do Rio São Francisco e a Ilha do Ferro, outro destino alagoano de grande relevância no turismo histórico, artístico e cultural de Alagoas. O povoado é famoso pela produção de esculturas em madeira e também possui um casario colonial belíssimo.
Agora que você já está por dentro sobre Entremontes, a capital do bordado alagoano, conheça também a belíssima região dos Cânions do Xingó, onde é possível desfrutar de passeios incríveis pelos maravilhosos cânions do Rio São Francisco e muitas outras atrações.
Por Márcio Vasconcelos de O. Torres
Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com
