
Postado dia 09/08/26 | 4min. de leitura
Igreja Matriz de Santo Amaro de Catu: tradição em Vera Cruz
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A Igreja Matriz de Santo Amaro de Catu é mais um icônico monumento histórico na bela Ilha de Itaparica. Para sermos mais específicos, a igreja fica em Jiribatuba, antigo povoado de pescadores que se desenvolveu a partir do séc. XVII, quando o território da Ilha já estava subdividido em freguesias.
Continue conosco e conheça um pouco sobre sua história, importância cultural e religiosa, bem como as principais características do templo e sua relação com as tradições ligadas a Santo Amaro.

História da Igreja Matriz de Santo Amaro de Catu em Vera Cruz: além da lenda
Também conhecida como Igreja de Santo Amaro de Jiribatuba, foi construída ao final do séc. XVII, o que pode ser constatado conforme resquícios em pedra de cantaria que ainda estão presentes, como a bacia do púlpito, o lavabo e as pias.
Sua planta tem influência jesuítica, o que é natural em razão da forte presença dessa ordem católica na Ilha, onde fundaram a antiga aldeia de Santa Cruz de Itaparica, em 1561, e a primitiva Igreja de Nosso Senhor de Vera Cruz, em 1563. Esta última é a mais antiga igreja da Ilha de Itaparica e encontra-se atualmente em ruínas.
Durante o século XVIII, a paróquia alcançou notável relevância, sendo citada pelo historiador Sebastião da Rocha Pitta, em sua História da América Portuguesa (1730), como uma das "duas magníficas Igrejas Paroquiais" da ilha, ao lado da matriz de Vera Cruz.

Outros cronistas antigos também atestaram sua importância, como o padre Cristóvão Santos em sua Relação sobre a Ilha de Itaparica, publicada em 1757; e Caldas, que contabilizou a paróquia com 187 fogos (residências) e expressivas 1425 almas em 1759.
Origem do nome “Catu”
Muito antes da chegada dos portugueses, toda a Ilha de “Itaparica” (cujo nome deriva do tupi e significa "cerca feita de pedras") era habitada pelos Tupinambás. A região de Jiribatuba, com suas águas calmas e ricas em manguezais, era um ponto estratégico e de farta subsistência pesqueira para esses povos originários.
Com a colonização e a posterior divisão da ilha em freguesias, o povoado começou a se estruturar ao redor da religiosidade católica e da economia de subsistência, servindo de elo para o trânsito marítimo no Recôncavo Baiano.
No passado, a localidade era referida como Santo Amaro do Catu, sendo “catu” um termo tupi que significa “Morro Bonito”.
Lenda da Igreja Matriz de Santo Amaro de Catu e sua localização estratégica
A Igreja Matriz de Santo Amaro de Catu foi estrategicamente erguida no alto de uma elevação, de onde era possível descortinar e vigiar a paisagem e o movimento marítimo da barra.
A lenda local conta que crianças teriam encontrado uma imagem de Santo Amaro na sombra de uma cajazeira e, sempre que a levavam para a vila, a imagem "voltava" misteriosamente para o local de origem, motivando a construção do templo naquele ponto exato.
Ponto de resistência nas batalhas da Independência do Brasil na Bahia
A igreja também foi palco de eventos marcantes no período da Independência do Brasil na Bahia.
Durante uma missa celebrada em 14 de agosto de 1822, o padre Antonio Faustino proferiu vivas ao Imperador e foi calorosamente aclamado pelos presentes. Entre os fiéis, encontravam-se revoltosos que utilizavam o espaço e o momento para organizar a célebre resistência do Funil, importante batalha naval em que os portugueses foram rechaçados.
Bibliografia
AZEVEDO, Paulo Ormindo David de. IPAC-BA: Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia. Salvador: Secretaria da Indústria e Comércio e Turismo. v.2. Monumentos e Sítios do Recôncavo, 1975-2002. 7v.
OSÓRIO, Ubaldo. A Ilha de Itaparica: História e Tradição. Salvador: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1979.
ROCHA PITA, Sebastião da. História da América portuguesa (1730). Brasília: Senado Federal, Conselho Editorial, 2011.
O que ver na Igreja Matriz de Santo Amaro de Catu

A igreja é de relevante interesse arquitetônico e possui capela-mor, duas sacristias e capela lateral. O acesso ao coro e púlpito se dá por escadaria externa. Ainda dispõe de bela torre única, composta por cacos de louça azul e branca.
No interior da Igreja Matriz de Santo Amaro de Catu, a capela-mor possui forro em madeira, altar principal com talha neoclássica e duas tribunas. Destaque para o púlpito, que exibe bacia em arenito, lavabo, pia batismal e de água benta.
Apesar de algumas imagens terem sido roubadas em 1974, a igreja ainda conserva imaginária composta pelo Senhor Morto, Nossa Senhora das Dores e Santo Amaro.
Tradição e fé no Morro Bonito: celebração de Santo Amaro em Jiribatuba
A história e a identidade cultural do povoado de Jiribatuba, localizado no município de Vera Cruz, estão intrinsecamente ligadas à sua religiosidade e, em especial, à devoção a Santo Amaro. E nesse sentido, a Igreja Matriz é o coração dessa tradição que resiste e atravessa gerações.

A Festa de Santo Amaro de Jiribatuba acontece anualmente no mês de janeiro, culminando no dia 15 de janeiro, data dedicada a Santo Amaro. Especialmente em Jiribatuba, a festividade transcende o calendário oficial e transforma-se em um grande evento comunitário que movimenta moradores e visitantes de toda a ilha e do Recôncavo Baiano.
Como a maioria das festas tradicionais da Bahia, os festejos de Santo Amaro de Jiribatuba unem sagrado e profano, com novenário composto por missas solenes e uma festa popular, com lindas tradições como a “Feijoada de Santo Amaro”, churrascos beneficentes, cirandas da fé, shows musicais e arrastões com bandas locais.
Todavia, o momento mais bonito e marcante dos festejos é a procissão em louvor ao padroeiro Santo Amaro. Nela, os fiéis caminham pelas ruas históricas de Jiribatuba, entoando cânticos, reafirmando sua fé e pedindo proteção à comunidade e aos pescadores da região.
Agora que você sabe mais sobre a Igreja Matriz de Santo Amaro de Catu, também Jiribatuba e suas tradições mais relevantes, confira todos os detalhes acerca de Mar Grande, distrito central do município de Vera Cruz. Ele é porta de entrada da Ilha de Itaparica e tem muito a oferecer.
Por Márcio Vasconcelos de O. Torres
Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com
