top of page
Igreja de Nossa Senhora Santana: a igreja de pedra de Rio de Contas

Postado dia 11/09/26 | 4min. de leitura

Igreja de Nossa Senhora Santana: a igreja de pedra de Rio de Contas

0 comentário

0 curtida

7 visualizações

A Igreja de Pedra de Rio de Contas é como ficou conhecida a Igreja de Nossa Senhora Santana, um dos monumentos mais bonitos da cidade de Rio de Contas e de toda a Chapada Diamantina Meridional

Sua fachada exótica em pedras não rebocadas contrasta com o centro histórico colorido da cidade e preserva originalidade que a torna uma das mais lindas igrejas da Bahia.

Igreja de Nossa Senhora Santana toda iluminada em Rio de Contas
A linda Igreja de Nossa Senhora Santana toda iluminada em Rio de Contas

Continue conosco e descubra todos os detalhes desse monumento especial que merece muito sua visita!

Igreja de Nossa Senhora Santana em Rio de Contas: a beleza do inacabado 

Quando viajamos em busca de turismo cultural e histórico, nosso olhar costuma ser treinado para admirar o teto dourado e repleto de iluminuras, as fachadas impecáveis, as complexas talhas em madeira, a arte sacra refinada e, claro, as obras concluídas. 

Foto antiga da Igreja de Santana em Rio de Contas
Foto antiga da Igreja de Santana em Rio de Contas - Reprodução / Arquivo Público Municipal de Rio de Contas

Em geral, a grandiosidade de um monumento é medida pela sua suntuosidade e acabamento. Todavia, a Igreja de Santana nos apresenta um contraste incrível, sendo suas paredes desnudas, ao meu ver, a mais fascinante testemunha histórica desta bela cidade.

Tombada pelo IPHAN e classificada com grau de proteção máxima (GP-1) no inventário IPAC do arquiteto Paulo Ormindo Azevedo, a Igreja de Santana, localizada na Praça Duque de Caxias (antigo Largo de Santana), não é apenas um cartão-postal. É um livro de pedra que conta parte da história econômica e social dessa região da Bahia.

O Epicentro Histórico: A Influência Mineira em Rio de Contas

Para compreender a importância da Igreja de Santana no contexto de Rio de Contas, é preciso olhar para as suas bases estruturais. A igreja foi projetada com uma planta raríssima de três naves (uma central e duas laterais) e uma capela-mor que se comunica com as sacristias.

Nave e altar da Igreja de Nossa Senhora Santana em Rio de Contas
Nave e altar da Igreja de Nossa Senhora Santana em Rio de Contas

Mas por que um projeto tão audacioso no sertão baiano? A resposta está na febre do ouro. A preferência arquitetônica pelas três naves foi trazida pelos mineiros que migraram para a região no século XVIII em busca de riquezas da mineração. 

Esse traço aproxima a Igreja de Santana de gigantes de Minas Gerais, como a Matriz da Conceição de Sabará e a de Mariana.

Mais do que um templo, a obra inacabada foi uma demonstração de poder que se tornou inspiração para igrejas matrizes como a de Riacho de Santana, Ibiassucê, Jacobina e Ituaçu.

Linha do tempo de uma igreja inacabada

A história da Igreja de Santana está associada ao antigo povoado de Creoulos, berço da atual cidade de Rio de Contas, onde primeiro havia uma primitiva capela octogonal dedicada à Senhora Sant'Ana. 

Os registros de 1779 já mostram a movimentação religiosa do local, quando a Vila de Nossa Senhora do Livramento das Minas de Rio de Contas pedia a transferência do Santíssimo Sacramento para a capela de Sant'Ana.

Historiador Márcio Torres esposa Mariana Torres Igreja de Pedra Igreja de Nossa Senhora Santana Rio de Contas
Visitando um dos monumentos mais emblemáticos da Chapada Diamantina - Reprodução / Arq. pessoal Márcio Torres

Contudo, a grandiosa edificação em pedra que vemos hoje sofreu um golpe da economia, quando, por volta de 1850, a construção foi abruptamente paralisada. O motivo foi o definhamento dos veios de ouro da região e o êxodo em massa da população local para as recém-descobertas minas de diamantes em Mucugê, Lençóis e Andaraí

O abandono deixou a igreja congelada no tempo e foi somente em 1882 que veio o primeiro relato, quando o viajante Durval Vieira Aguiar lamentou: "uma igreja toda de pedra mármore, com elegante fachada... que pelo seu valor faz pena não ter sido acabada".

O século XX trouxe mais desafios. Em 1914, fortes chuvas causaram o desabamento do telhado. Somente após seu tombamento histórico, em 1958, o edifício ganhou uma nova chance. 

No início da década de 1960, a igreja foi readaptada para o culto: reconstruiu-se o telhado em duas águas, o piso, o forro de uma das sacristias e o altar-mor.

Bibliografia

ARAKAWA, Maria de Lourdes Pinto e. As Minas do Rio de Contas. Salvador: a autora, 2022.

AZEVEDO, Paulo Ormindo de. Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia - Monumentos e Sítios da Serra Geral e Diamantina. v. IV. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo, 1978.

O que o turista pode ver no interior da Igreja de Santana

O interior da igreja é um convite à contemplação da sua estrutura inacabada, cujas naves laterais e torres não passaram da estrutura térrea. Por isso você não encontrará as grandiosas passagens laterais totalmente prontas. 

Em vez disso, olhe para as paredes centrais, onde é possível notar algumas pedras "soltas" e aparentes, além de arcos construídos uns sobre os outros. Esses detalhes são como pistas deixadas pelos construtores, indicando que o plano original era erguer galerias majestosas nesses espaços.

Detalhe de escultura em pedra no interior da Igreja de N. Sra. Santana
Detalhe de escultura em pedra no interior da Igreja de N. Sra. Santana

Prestando atenção aos detalhes, pois é possível observar o capricho no corte das pedras, um trabalho impecável e impressionante. Os blocos que formam os arcos internos possuem pedras esculpidas sob medida e em formato triangular para se encaixar perfeitamente. 

Todo esse trabalho foi feito com o mesmo material resistente que enfeita a fachada, usado também para criar os suportes dos belos “púlpitos” (aquelas varandas internas de onde o padre falava). 

Como as paredes não receberam reboco ou pintura, o visual de pedra rústica domina o ambiente, criando uma beleza única e tornando a acústica do lugar muito especial. 

Quanto à imaginária da igreja, é um verdadeiro tesouro guardado pela comunidade local, onde é possível admirar a imagem de Jesus Crucificado. Porém, a imagem da padroeira, Senhora Santana, não fica exposta na igreja o tempo todo. Por questões de segurança, ela é guardada com todo o cuidado na casa de uma família local, a do Sr. Antônio Irineu Trindade. 

Agora que você já conhece a origem da Igreja de Pedra de Rio de Contas e suas principais características, saiba que o Centro Histórico da cidade é um dos mais bem conservados e belos do Brasil Colônia. Por isso, agora saiba mais sobre outro ponto interessante da cidade: o Arquivo Público Municipal, referência na conservação de documentos antigos e organização do acervo. O lugar ideal para se aprofundar na história da região.


Por Márcio Vasconcelos de O. Torres

Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com


Escreva um comentário

Deixe seu comentário

Deixe seu comentário

Deixe seu comentário

Deixe seu comentário

bottom of page