top of page
Igreja de São Tomé de Paripe: tradição em Salvador

Postado dia 15/09/26 | 4min. de leitura

Igreja de São Tomé de Paripe: tradição em Salvador

0 comentário

0 curtida

20 visualizações

Existem tesouros históricos em Salvador que passam despercebidos pela maioria dos turistas. É o caso da Igreja de São Tomé de Paripe, uma das mais antigas da capital baiana e repleta de lendas sobre um tempo em que a mata atlântica cobria toda a atual região metropolitana e as canoas tupinambás infestavam a Baía de Todos os Santos.

Assim sendo, visitá-la vai muito além da prática do turismo religioso em Salvador, especialmente quando se descortina a bela paisagem do seu mirante e quando se estuda previamente um pouco sobre sua história. 

A Igreja de São Tomé de Paripe é uma das mais antigas de Salvador
A Igreja de São Tomé de Paripe é uma das mais antigas de Salvador

Por isso preparamos este artigo, para que conheça um pouco sobre a origem desse primitivo monumento, a lenda de Zumé, que até hoje faz parte das crenças locais e outras informações cruciais. 

Continue conosco!

Origem da Igreja de São Tomé de Paripe

Para se ter uma ideia sobre o tempo em que a Igreja de São Tomé de Paripe foi construída, é preciso realizar um exercício de imaginação. 

Imagine então uma época em que os tupinambás dominavam todas as margens da Baía de Todos os Santos… As primeiras naus, caravelas e galeões portugueses adentrando nesta Baía… Os jesuítas se embrenhando nas selvas fechadas e se deparando com comunidades indígenas inteiras…

A Igreja de São Tomé de Paripe no início do séc. XX
A Igreja de São Tomé de Paripe no início do séc. XX

Pois esse era o cenário do subúrbio de Salvador quando os religiosos chegaram para fundar a Aldeia de São Tomé de Paripe. E logo construíram com mãos tupinambás a primitiva capela, conforme fala o padre Vicente Rodrigues em 17 de setembro de 1552:

"na terra onde ao presente estou, junto às pegadas de Santo Tomé, fizeram-me casa e ermida e já lavraram muitas árvores, as suficientes para as casas, e muitas pedras, e tudo isto junto ao mar, muito abundante de peixes; de muita comodidade para sustentar os meninos e instruí-los". 

Muito provavelmente, a ermida primitiva foi levantada em taipa, mas não se sabe se a atual Igreja de São Tomé de Paripe, construída em cal e pedra, é uma continuação da primeira ou uma reconstrução da mesma realizada alguns anos depois.

O cronista do séc. XVI Gabriel Soares de Sousa afirmou que a igreja já existia em 1587, ano em que publicou seu livro Tratado Descritivo do Brasil: “Do porto de Paripe se vai à terra afeiçoando à maneira de ponta lançada ao mar, e corre assim obra de uma légua, onde está uma ermida de São Tomé em um alto [...]”. Portanto, é bem possível que parte da atual arquitetura também seja do séc. XVI. 

A lenda de Zumé

A tradição do dilúvio se apresentou na Etnologia indígena sob várias formas, sendo a dos tupis uma delas. A esta tradição os tupinambás associavam a lenda de Zumé, um personagem antigo que teria vindo de longe para pregar o bem. 

A semelhança do nome fez com que os jesuítas acreditassem que o Zumé dos tupinambás fosse São Tomé. Ainda mais quando os tupinambás lhes apresentaram 4 pegadas na rocha de uma praia próxima que atribuíam a Zumé, logo compreendidas pelos jesuítas como um milagre do apóstolo de Cristo.

A lenda de Zumé em São Tomé de Paripe
A lenda de Zumé em São Tomé de Paripe - Reprodução / Pintura óleo sobre tela desenvolvida com Inteligência Artificial - Criação do historiador Márcio Torres

A questão é que essa tradição das pegadas de São Tomé já existia na Europa desde 1515, sendo encontrada em muitas cartas jesuítas. Porém, a lenda de que São Tomé teria chegado em São Tomé de Paripe e pregado para os tupinambás é equivocada. 

De acordo com etnólogos, o termo “Zumé” ou “Sumé” faz alusão ao “deus criador e civilizador” dos tupinambás, que tinham sua própria cosmovisão. 

Fato é que muitas lendas cristãs de diferentes tipos foram utilizadas como agente facilitador na conversão dos indígenas ao longo da colonização portuguesa no Brasil.

O que fazer na Igreja de São Tomé de Paripe em Salvador

Vista aérea da Igreja de São Tomé de Paripe em Salvador
Vista aérea da Igreja de São Tomé de Paripe em Salvador

A igreja está no alto de uma colina que possibilita visão em 360º, ou seja, de lá é possível avistar o mar da Baía de Todos os Santos com a linda Praia de São Tomé de Paripe de um lado, e do outro, as águas da Baía de Aratu.

Sem dúvida alguma, é um dos melhores lugares de Salvador para assistir ao pôr do sol.

Para os que desejarem conhecê-la por dentro, é preciso ficar atento aos dias e horários de funcionamento da igreja, ou simplesmente ter a sorte de chegar no momento de uma missa. 

Mais informações sobre a igreja

  • Endereço da Igreja de São Tomé de Paripe: Rua Alto da Igreja, s/n, São Tomé de Paripe, Salvador;

  • Dias e horário de funcionamento: quarta, quinta e sexta-feira, das 14:00 às 18:00; sábado, das 08:00 às 12:00.

Como chegar à Igreja de São Tomé de Paripe

O bairro de Paripe é bem distante e o acesso até ela por meio de transporte público é difícil para turistas que não conhecem bem a cidade. 

Por isso, vale mais a pena ir de táxi, carro de aplicativo ou contratar um transfer. Este último pode ser utilizado para um roteiro mais amplo que também usufrua de outros atrativos na região.

O que fazer nos arredores da igreja

A primeira opção é descer até a Praia de São Tomé de Paripe e se deliciar em suas águas calmas, mornas e cristalinas. Ela possui muitos bares e restaurantes, sendo um ótimo lugar para comer caranguejo e pratos da gastronomia baiana. 

De lá saem barquinhos que levam para a Praia das Neves na Ilha de Maré, outro paraíso da Baía de Todos os Santos que deve estar no seu passeio de um dia pela região.

Se você curtiu este artigo e está decidido a conhecer a Igreja de São Tomé de Paripe quando estiver visitando Salvador, conheça mais sobre o subúrbio da capital baiana, pois trata-se de uma região da cidade muito rica em história, cultura, gastronomia e que também oferece cenários inesquecíveis!

Bibliografia

AZEVEDO, Paulo Ormindo David de. IPAC-BA: Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia. Salvador: Secretaria da Indústria e Comércio e Turismo. v.1. Monumentos do Município de Salvador, 1975-2002. 7v.

BRESCIANI SJ, Pe Carlos. A primeira evangelização das aldeias ao redor de Salvador, Bahia (1549-1569). Salvador: Fundação Gregório de Mattos, 2000.

LEITE, Serafim. História da Companhia de Jesus no Brasil. São Paulo: Edições Loyola, 2004.

SOUSA, Gabriel Soares de. Tratado Descritivo do Brasil em 1587. São Paulo: Hedra, 2010.


Por Márcio Vasconcelos de O. Torres

Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com


Escreva um comentário

Deixe seu comentário

Deixe seu comentário

Deixe seu comentário

Deixe seu comentário

bottom of page