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Ferrovia Centro-Atlântica: história e presença em Iramaia

Postado dia 27/05/26 | 3min. de leitura

Ferrovia Centro-Atlântica: história e presença em Iramaia

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A atual Ferrovia Centro Atlântica (FCA) é fruto da integração e privatização de antigas linhas férreas que compunham, em sua maioria, o que restou da extinta Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA). 

Falar um pouco sobre sua história é necessário para entender o dinamismo de diversas cidades da Chapada Diamantina, a exemplo de Iramaia, que se desenvolveu à margem dos seus trilhos.

Estação Ferroviária de Iramaia
A Estação Ferroviária de Iramaia continua em atividade

Neste artigo, vamos conhecer um pouco da sua formação e importância, que está intrinsecamente ligada às primeiras ferrovias que circularam pela Bahia, com foco específico na cidade de Iramaia. 

Continue conosco!

História da Ferrovia Centro Atlântica S.A. em Iramaia: principais marcos

A primeira ferrovia do Brasil foi a Estrada de Ferro Petrópolis, inaugurada em 1854 e que ficou muito conhecida como Estrada de Ferro Mauá. 

A Estação Ferroviária de Iramaia na década de 1950
A Estação Ferroviária de Iramaia na década de 1950

Em seguida, vieram a Estrada de Ferro Recife ao São Francisco (1858); a Estrada de Ferro D. Pedro II (1858), que ligava o Rio de Janeiro a Minas Gerais e São Paulo; e a Estrada de Ferro Bahia ao São Francisco (1860).

A ferrovia que passa por Iramaia surgiu da unificação de pequenas companhias férreas em grandes redes estatais, sendo que o ramal que corta o município foi de grande relevância para a interiorização do estado e a conexão com o norte de Minas Gerais.

Mas a linha que atravessa Iramaia não está ligada à antiga Estrada de Ferro Bahia ao São Francisco, e sim à Estrada de Ferro Central da Bahia (EFCB), inaugurada em 1876 com o trecho que conectava Cachoeira/São Félix, no Recôncavo Baiano, e Feira de Santana. 

Sua expansão para o interior se deu pouco a pouco, com a inauguração de trechos como o de Feira de Santana à Cruz das Almas (1881), Iaçu e Chapada Diamantina pelo vale do rio Paraguaçu (1883-1900) e, finalmente, o ramal que alcançou Iramaia (1921), consolidando o atendimento à região serrana. Posteriormente, ela ainda alcançaria Contendas do Sincorá (1928) e Montes Claros, em Minas Gerais (1950).

Mapa antigo estradas de ferro da Bahia
Mapa das estradas de ferro baianas no séc. XIX

É importante saber que a Viação Férrea Federal Leste Brasileiro (VFFLB) unificou várias ferrovias baianas, especialmente as históricas estradas de ferro Bahia ao São Francisco e Central da Bahia, sendo esta última a que passava por Iramaia. 

Por fim, a atual FCA (Ferrovia Centro Atlântica) assumiu a operação de toda a malha ferroviária que atravessa regiões centrais do Brasil, unificando trechos de antigas empresas, como a Viação Férrea Federal Leste Brasileiro (VFFLB), a Estrada de Ferro Central do Brasil e a Rede Mineira de Viação. 

Jiquy: a primeira estação de ferrovia em Iramaia

A Estação Jiquy foi a mais importante de Iramaia, sendo a parada que oferecia maior logística dentro do município. Sua relevância se dava em razão de ser um ponto central de abastecimento e escoamento para a produção agrícola e mineral, além de entroncamento fundamental e possuir vários pátios de manobra. 

Ruínas antiga estação ferroviária Jiquy Iramaia
Ruínas da antiga Estação Ferroviária Jiquy, em Iramaia

Ainda havia outros pontos de trens no município, conhecidos como “paradas simples” e “apeadeiros”, que eram plataformas de madeira ou concreto onde o trem reduzia a velocidade ou parava brevemente para passageiros e pequenas cargas. Eles não possuíam o porte administrativo de uma estação completa, que oferecia armazéns, despachos e pátio de manobras.

Por fim, também havia a Estação Iramaia (Sede), que atualmente continua ativa, ao contrário da Estação Jiquy, que encontra-se em ruínas. O antigo povoado de Jiquy, que se desenvolveu ao lado da estação ferroviária, é atualmente o distrito de Novo Acre, um lugar nostálgico e pitoresco que preserva muito da rica história e cultura do município de Iramaia. 

A chegada dos trilhos foi um marco fundamental para o desenvolvimento urbano e econômico do município no início do século XX, cujos trens transportavam todas as cargas da região e também passageiros, sendo vital para a mobilidade da população. Porém, o serviço de passageiros foi encerrado em 1989, sendo a atual malha ferroviária baiana de uso exclusivo para o transporte de cargas.

Bibliografia

Buzelin, José Emílio de Castro H.; Setti, João Bosco. Ferrovia Centro-Atlântica: uma ferrovia e suas raízes. Rio de Janeiro: Memória do Trem, 2001. 

ZORZO, Francisco Antônio. Ferrovia e rede urbana na Bahia: doze cidades conectadas pela Ferrovia no Sul do Recôncavo e Sudoeste Baiano (1870-1930). Feira de Santana: Universidade Estadual de Feira de Santana, 2001.

Estações Ferroviárias do Brasil. Portal VFCO / Ralph Mennucci Giesbrecht. 

Agora que você já sabe a respeito da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), conheça o Povoado da Raposa, um dos lugares mais bonitos da Chapada Diamantina e que fica exatamente no município de Iramaia. Assim, poderá montar um roteiro mais completo quando decidir visitar a região.


Por Márcio Vasconcelos de O. Torres

Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com


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