
Postado dia 04/07/26 | 4min. de leitura
Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento: patrimônio de Itaparica
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As linhas arquitetônicas da Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, em Itaparica, se fundem com o mar cristalino e a atmosfera sossegada do que é o centro histórico mais importante da Ilha de Itaparica. Visitá-la é um programa especial, pois assim o turista pode aproveitar praias paradisíacas, cultura preservada e história, muita história.
Além disso, um passeio em seu entorno revela outros monumentos de grande relevância, como o belo casario colonial que a ela se avizinha. Continue conosco e descubra o que fazer por lá!

História da Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento: principais marcos
A Igreja do Santíssimo Sacramento é um dos marcos mais expressivos do patrimônio material e histórico de Itaparica. Conforme a perspectiva de Ubaldo Osório, a evolução urbana e a afirmação civil da ilha estiveram historicamente atreladas à consolidação de suas instituições religiosas.
O templo teve sua construção iniciada no início do século XVIII por iniciativa e liderança do Padre Manoel de Cerqueira Torres, culminando com sua inauguração no dia 21 de outubro de 1794. Momento que era de florescimento local, já que em 1815, o antigo Arraial da Ponta da Baleia foi elevado à categoria de freguesia, transformando oficialmente a igreja na Matriz da localidade.

O período também era crucial para a consolidação da sociedade itaparicana, que, entre 1822 e 1823, sustentou severas batalhas em torno da Matriz contra os portugueses. Ali os itaparicanos desempenharam um papel heróico de resistência e manutenção do cerco que expulsou as tropas lusas do território baiano.
Segue a cronologia de marcos históricos da igreja, conforme Paulo Ormindo D. de Azevedo, no seu Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia:
1794: Segundo a placa comemorativa existente na nave, esta igreja foi construída no final do século XVIII pelo Padre Manoel de Cerqueira Torres e entregue ao público em 21/10/1794.
1815: Por alvará de 19 de janeiro deste ano, o arraial da Ponta da Baleia é elevado a freguesia e a Igreja do Santíssimo Sacramento transformada em matriz.
1925/26: A igreja passa por obras de restauração.
1955/60: Novas obras de restauração são realizadas na igreja.
1925/26: Segundo a placa existente na nave, de 14/10/1925 a 31/12/1926, a igreja sofreu obras de restauração promovidas pelo Padre Antonio Monteiro. Desta época é a pintura do teto da capela-mor, alusiva à adoração do Santíssimo.
1955/60: Obras de restauração, que consistiram na recuperação do teto, pisos e altares, foram realizadas no período de 22/01/1955 a 7/02/1960, sob a coordenação do Dr. Mario Felix Dias e Agnello de Carvalho Brito, com contribuições de veranistas, itaparicanos e da Prefeitura Municipal, segundo a placa existente no templo.
O que ver na Igreja Matriz do Santíssimo

A Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento reflete uma transição estética tardia, muito comum no Recôncavo Baiano. Sua planta possui como núcleo central uma nave e capela-mor, circundadas por corredores laterais e sacristias com tribunas superpostas.
Destaque para sua torre esquerda, que foi a única concluída, e para a belíssima e elaborada fachada central, onde está um imponente frontão em estilo rococó.
No interior, os estilos rococó e neoclássico convivem harmoniosamente, e no forro há uma monumental pintura alusiva à Última Ceia, de autoria do renomado pintor neoclássico baiano Joaquim José da Rocha Franco Velasco.
O altar-mor também é neoclássico, caracterizado por uma impressionante talha dourada. Em contraste, o arco cruzeiro, as tribunas e os púlpitos preservam a talha rococó. Os seis altares laterais seguem uma simplificação do padrão neoclássico, tendo perdido a sua policromia e pintura primitiva ao longo do tempo.

Completam o acervo artístico uma grande quantidade de imagens e alfaias, além de dois lavabos adornados com golfinhos e uma preciosa pia batismal esculpida em mármore Carrara.
Bibliografia
AZEVEDO, Paulo Ormindo David de. IPAC-BA: Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia. Salvador: Secretaria da Indústria e Comércio e Turismo. v.2. Monumentos e Sítios do Recôncavo, 1975-2002. 7v.
OSÓRIO, Ubaldo. A Ilha de Itaparica: História e Tradição. Salvador: Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1979.
Como chegar à Igreja do Santíssimo Sacramento
Antes de tudo, é preciso distinguir que a Ilha de Itaparica é dividida em dois municípios: Vera Cruz e Itaparica.
A Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento fica no Centro Histórico de Itaparica, município da ilha onde nasceu o notável escritor João Ubaldo Ribeiro, cujo avô, Ubaldo Osório, era historiador e foi citado neste artigo.

Para chegar até ela a partir de Salvador, é preciso atravessar a Baía de Todos os Santos, podendo ser pela lancha que sai do Terminal Turístico Náutico da Bahia e leva até Mar Grande, sendo que aqui o transporte ocorre apenas para passageiros.
Outra opção é ir pelo ferry boat, que sai do Terminal Marítimo de São Joaquim e leva até Bom Despacho. Essa alternativa, além de passageiros, transporta todos os tipos de veículos.
Já na Ilha de Itaparica, seja em Bom Despacho ou Mar Grande, é preciso pegar uma condução para o município de Itaparica, que pode ser van, táxi ou carro de aplicativo.
O que fazer próximo à Igreja do Santíssimo Sacramento
Como já foi dito, o antigo templo católico está situado no Centro Histórico de Itaparica e cercado de outros monumentos antigos e praias belíssimas. Nossa primeira indicação é a bela prainha do Forte São Lourenço, que apresenta águas muito cristalinas e a própria fortaleza em frente, outro importante palco nas batalhas pela Independência.

Bem ao lado da Matriz está a Igreja de São Lourenço, uma das mais antigas de toda a Ilha de Itaparica. No mesmo local também é possível visitar o Solar do Rei, casarão que recebeu visitas de D. João VI e seu neto D. Pedro II, e a mística Fonte da Bica.
Já que você chegou até aqui e está por dentro das principais informações sobre a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, em Itaparica, conheça também as ruínas da Capela de Santo Antônio dos Velasquez, situada em Mar Grande.
Por Márcio Vasconcelos de O. Torres
Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com
