
Postado dia 15/01/26 | 5min. de leitura
Forte de São Joaquim da Jequitaia: mais história em Salvador
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Pouca gente sabe da existência do Forte Jequitaia, que se encontra em ruínas e em local pouco acessível em Salvador. Na verdade, quem passa pela Avenida Jequitaia não o vê, já que em sua frente estão enormes árvores que o escondem por completo.
Mas para quem passa caminhando pela Praia do Cantagalo, que fica ao lado da Feira de São Joaquim, é possível avistá-lo ao lado do antigo edifício da Petrobrás.
Sendo assim, visitar o Forte da Jequitaia é uma ótima opção do que fazer em Salvador para os viajantes que são amantes de História e aventureiros de plantão.
Por isso, continue conosco e conheça um pouco da sua história, o que fazer nos arredores e como chegar.

História do Forte Jequitaia
Também conhecido como Forte de São Joaquim da Jequitaia, ele foi a última defesa construída em Salvador no período colonial. Seu mentor foi o Capitão-general e 8º Conde dos Arcos, que iniciou a obra em 1817 com o objetivo de completar a defesa marinha da cidade.
Mas há quem diga que esse propósito nunca foi consistente, já que a Baía de Todos os Santos é enorme e muitos pontos entre os fortes de Monte Serrat, da Jequitaia e de Santo Alberto eram vulneráveis a desembarques de inimigos.
Ele viu as tropas do General Madeira de Melo fugirem de Salvador no dia 23 de julho de 1823, quando os baianos expulsaram os portugueses e consagraram a Independência do Brasil na Bahia.

No período da Sabinada em 1838, ele foi ocupado pelos revolucionários, que foram expulsos e vencidos pela tropa do 7º Batalhão de Infantaria de Pernambuco e um pelotão de marinheiros, ambos comandados pelo Major Zeferino Pimentel Moreira.
Outro acontecimento marcante foi a visita do Imperador D. Pedro II, em 1859, quando nele estava instalada a Companhia de Artífices do Arsenal de Guerra por ocasião da Guerra de Canudos.
Já no séc. XX, a Societé Construction du Port de Bahia nele instalou seus escritórios e desfigurou sua fisionomia. O forte só não foi demolido em razão das suas espessas muralhas de dois metros, sendo que sua estrutura serviu de alicerce para construções úteis às novas funções portuárias.
Lamentavelmente, o Forte Jequitaia se encontra abandonado pelo poder público, desfigurado por intervenções urbanas equivocadas e carecendo de um restauro que o reconfigure conforme sua arquitetura original. É o que se espera para que os cidadãos soteropolitanos e os turistas possam acessar mais este monumento histórico relevante da cidade.
O que fazer próximo ao Forte Jequitaia: 6 lugares imperdíveis
O entorno do Forte Jequitaia é muito rico se tratando de monumentos históricos e cultura, sendo possível montar uma ótima programação de um dia inteiro nessa região de Salvador.
Confira algumas alternativas para compor seu roteiro:
1. Feira de São Joaquim

A Feira de São Joaquim é a mais tradicional da cidade, e segundo Vilhena, existe desde 1801, quando o local era conhecido como Água de Meninos. Ela recebe diariamente diversos produtos de todo o Recôncavo Baiano, nele incluídos os bairros suburbanos de Salvador que estão situados na Baía de Todos os Santos.
A feira é a cara da Bahia, sendo nela encontrados artesanatos em cerâmica, em cestarias de palha e sisal, produtos de religiões de matriz africana, além de frutas, verduras e folhas de todo tipo.
Há também a presença de restaurantes com vista para o mar que são excelentes para uma bebida geladinha e para degustar a deliciosa gastronomia baiana.
2. Casa Pia e Colégio dos Órfãos de São Joaquim

A Casa Pia e Colégio de Órfãos de São Joaquim é um complexo histórico e religioso construído entre 1709 e 1759, composto por colégio, capela e antigo orfanato. No local também funcionou o ex-Noviciado da Anunciada Jequitaia.
Chegar até ela é bem fácil, pois está na Avenida Jequitaia, quase em frente ao Forte Jequitaia.
Visitá-la é um passeio extraordinário, já que em seu interior existem salões nobres repletos de obras de arte e mobiliário de jacarandá antigo. A igreja também é belíssima, com pintura da Anunciação da Virgem no teto, altar com quadro de Nossa Senhora Santana, São Joaquim e a Virgem Maria, além de talhas produzidas entre 1722 e 1748.
3. Igreja da Ordem Terceira da Santíssima Trindade
A Igreja da Santíssima Trindade é um dos templos católicos à beira-mar na Cidade Baixa de Salvador.
Construída a partir de 1739, foi queimada por um grande incêndio e reconstruída em 1888. Após um período em ruínas, foi resgatada pela Comunidade da Trindade, que desenvolve um belo trabalho com pessoas em situação de vulnerabilidade.
Cabe mencionar que a igreja está localizada na Avenida Jequitaia e a apenas 1,2 quilômetros do Forte Jequitaia.
4. Forte Santo Alberto

Também conhecido como Fortim da Lagartixa, o Forte Santo Alberto também fica na Avenida Jequitaia, distante apenas 1,6 quilômetros do Forte Jequitaia.
Construído entre 1590 e 1610, é um dos mais antigos de Salvador e nos primórdios estava literalmente na beira da praia. Posteriormente, com o aterro da região para a ampliação do porto de Salvador, o forte ficou afastado do mar, como se encontra atualmente.
5. Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem
A Igreja da Boa Viagem foi construída em 1710 e está em frente ao mar da Praia da Boa Viagem. É possível ir caminhando a partir da Praia do Cantagalo pela areia mesmo, percorrendo aproximadamente 3,6 quilômetros de praias até lá.
A igreja e o mar cristalino da Boa Viagem formam uma paisagem única que merece ser apreciada de perto. O local também se destaca por ser palco da Festa do Bom Jesus dos Navegantes.
6. Ponta do Humaitá

A Ponta do Humaitá fica ao lado da Igreja da Boa Viagem e é um dos locais mais bonitos da cidade.
Ela também concentra uma diversidade de monumentos históricos que se fundem maravilhosamente à paisagem: o Farol do Humaitá, o Forte Monte Serrat, a Igreja e Mosteiro de N. Sra. de Monte Serrat e a antiga casa da família Garcia d’Ávila.
Com exceção do farol, são monumentos muito antigos datados entre os séculos XVI e XVII.
Como chegar ao Forte Jequitaia
Tomando como referência o antigo edifício da Petrobrás e a Feira de São Joaquim, a maneira mais segura de chegar é de táxi, carro de aplicativo ou transfer, sendo que este último pode ser ainda mais seguro se contratado por meio de uma agência de turismo confiável.
Agora que você já sabe sobre o Forte Jequitaia e o que fazer na redondeza, conheça também 9 fortes de Salvador e descubra ainda mais sobre a primeira capital do Brasil.
Bibliografia
Campos, J. da Silva. Fortificações da Baía. Rio de Janeiro: Publicações do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Ministério da Saúde, 1940.
Oliveira, Mário Mendonça de. As Fortalezas de Salvador. Brasília, DF: Iphan/Programa Monumenta, 2008.
Vilhena, Luís dos Santos. A Bahia no Século XVIII. v.1. Salvador: Editora Itapuã, 1969.
Por Márcio Vasconcelos de O. Torres
Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com
