
Postado dia 01/02/26 | 5min. de leitura
Memorial das baianas de acarajé: história, cultura e tradição
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O Memorial das Baianas é um espaço emblemático que faz jus à história, cultura e tradição dessas mulheres originalmente negras e tão importantes para a Bahia.
Elas representam a arte da gastronomia baiana e são conhecidas nos quatro cantos do mundo. Mas não somente, já que sua origem traz a força e a resistência da luta pela liberdade durante o regime escravista.

Certamente, visitá-lo é uma das melhores opções do que fazer em Salvador, pois além de conhecer o Museu das Baianas de Acarajé, é possível explorar o entorno que é riquíssimo, lembrando que o espaço está localizado no centro histórico da cidade.
Contexto histórico das Baianas de Acarajé
O historiador João José Reis, em seu livro “Ganhadores: a greve negra de 1857 na Bahia”, explica que os negros e negras de ganho eram escravizados que iam às ruas vender produtos para arrecadar dinheiro, mor parte para seus senhores, e o que restava, muitas vezes juntavam para comprar sua alforria.

Porém, primeiro precisavam cumprir suas tarefas ordinárias, para no tempo livre executarem o ganho. Essa é a origem das baianas de acarajé, conforme descrito pelo supracitado autor:
“As ganhadeiras vendiam de tudo um pouco: verduras, frutas, peixe, carne verde, moqueada e cozida, quitutes doces e salgados, panos da costa, toda sorte de quinquilharias, entre outros produtos locais e importados, mormente da África, mas doutras partes do globo também”.
“Elas percorriam a cidade de porta em porta, ruas, becos, praças, a subir e descer ladeiras, equilibrando com força e com elegância suas gamelas, tabuleiros abertos e fechados, estes feitos de vidro e armação de madeira, denominadas “caixinhas”, que de pequenas nada tinham”.
Com o passar do tempo e após a Abolição em 1888, esses tabuleiros passaram a ser instalados diariamente nas ruas da cidade. Toda a grande variedade de produtos vendidos se resumiram aos “quitutes doces e salgados” encabeçados pelo acarajé.
O que ver no Memorial das Baianas do Acarajé
O espaço é um néctar para os curiosos e apreciadores de história, já que apresenta, por meio de fotos, textos, vestuário e objetos religiosos, a tradição do ofício das baianas de acarajé.

É lógico que a visita não deve começar por lá, e sim, no primeiro tabuleiro que encontrar, de maneira a conhecer de perto e, na prática, a fritura no azeite de dendê desse tão famoso bolinho, bem como sentir seu aroma e degustá-lo.
O Memorial é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e apresenta uma bela exposição com iconografia e rica documentação.
É possível observar instrumentos utilizados pelas baianas na produção do acarajé, fotos, adereços utilizados por elas, vestuário, artesanatos, além de vídeos que podem ser assistidos no local.
Cursos e lojinha
A antiga cozinha do memorial foi revitalizada, e atualmente é utilizada para promoção de cursos de culinária baiana, que são abertos para o público.

Também há uma lojinha que comercializa roupas, adereços e lembrancinhas associadas ao trabalho das baianas de acarajé.
Como chegar ao Museu das Baianas de Acarajé
O Memorial foi fundado e instalado em 2009, ao lado do monumento da Cruz Caída na Praça da Sé. Portanto, para quem vai de ônibus, na orla marítima transitam algumas linhas que finalizam seus percursos na própria Praça da Sé. Também é possível chegar até lá de táxi ou carro de aplicativo.
Outra opção bem confortável é contratar um transfer, que busca o turista no hotel onde estiver hospedado e o leva direto para o Memorial das Baianas de Acarajé.
Mais informações sobre o museu
Endereço do Memorial das Baianas de Acarajé: Cruz Caída, Praça da Sé, Pelourinho, Salvador;
Dias e horário de funcionamento: de segunda a sábado, das 10:00 às 16:00;
Ingresso: R$ 5,00 por pessoa, com gratuidade nos dias de quarta-feira.
O que fazer próximo ao Memorial das Baianas de Acarajé
Por estar localizado no centro histórico de Salvador, não faltam opções próximas ao Museu das Baianas de Acarajé. Porém, como são muitas, optei por citar apenas as que estão bem pertinho de lá, confira:
Museu da Misericórdia

O Museu da Misericórdia está instalado no interior da Santa Casa de Misericórdia da Bahia, que por sua vez foi construída em 1549.
O espaço é um prato cheio para quem gosta de história, arte sacra e mobiliário antigo, já que reúne um rico acervo composto por 3874 peças.
São objetos de alfaia, mobílias lindamente talhadas em “madeiras de lei”, linda imaginária e uma galeria de arte de brilhar os olhos. Também é possível admirar um lindo painel de azulejos portugueses datado de 1712.
Não deixe de visitar a igreja e aproveitar as varandas dos salões nobres, que oferecem vista espetacular da Baía de Todos os Santos.
Monumento da Cruz Caída
Também localizada na Praça da Sé e ao lado do Memorial das Baianas, o monumento da Cruz Caída é uma obra de Mário Cravo Jr., e foi instalado no local da antiga Catedral da Sé, demolida em 1933 para dar passagem aos bondes da Companhia Linha Circular de Carris da Bahia.
É mais um local que oferece mirante e linda vista do complexo paisagístico, arquitetônico e histórico de Salvador.
Elevador Lacerda

Localizado na Praça Tomé de Sousa e a apenas 150 metros do Memorial das Baianas de Acarajé, o Elevador Lacerda é parada obrigatória para quem vai ao centro histórico, tanto pela sua imponência, como pela paisagem que é um dos mais importantes cartões postais do Brasil.
Porém, se você vai até o Elevador Lacerda, pode ter certeza que vai querer descer até a Cidade Baixa por ele. O problema é que um “novo mundo” se abre surgindo infinitas possibilidades, a começar pelo famoso Mercado Modelo. Mas aí é outra história!
Visto que já conhece o Memorial das Baianas, conheça agora os 27 melhores passeios em Salvador, para ampliar ainda mais suas possibilidades na linda capital da Bahia!
Bibliografia
AZEVEDO, Paulo Ormindo David de. IPAC-BA: Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia. Salvador: Secretaria da Indústria e Comércio e Turismo. v.1. Monumentos do Município de Salvador, 1975-2002. 7v.
REIS, João José. Ganhadores: a greve negra de 1857 na Bahia. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.
Por Márcio Vasconcelos de O. Torres
Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com
