
Postado dia 30/05/26 | 4min. de leitura
Cachoeira subterrânea em Catolés: experiência única na Bahia
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A Cachoeira Subterrânea em Catolés é uma obra-prima da natureza que figura entre as paisagens mais exóticas da Chapada Diamantina.
Ela é formada por águas de afluentes do Rio de Contas, que em determinado momento do seu percurso, adentram profundamente em um leito pedregoso e percorrem caminhos subterrâneos, chegando a mais de 20 metros de altura em determinados pontos.

Continue conosco e conheça as principais características desse fenômeno natural, como chegar e como incluí-la em seu roteiro de viagem.
Cachoeira Subterrânea de Catolés: uma grande aventura da Bahia Terra Turismo
Quando me contaram sobre a Cachoeira Subterrânea de Catolés pela primeira vez, pensei: deve ser uma quedinha d’água, nada demais. Ledo engano! Ela é um encanto da natureza e encontrá-la frente a frente foi um momento que jamais esquecerei.
O ideal é ir até lá em dias de sol, quando a iluminação mergulha no interior das rochas e torna o local paradisíaco. Este tipo de clima também garante que o volume d’água da cachoeira esteja dentro de um limite de segurança, de maneira que você possa aproveitar o passeio com tranquilidade.

Mas essa não foi a condição climática da nossa aventura, pois chegamos a Catolés em uma semana de fortes chuvas que despertaram, inclusive, as principais cachoeiras intermitentes da região. Assim sendo, o tempo fechado, frio e escuro tornaram nossa imersão na Cachoeira Subterrânea algo desafiador.
O amigo e guia Laércio “Du” foi a nossa garantia de segurança. Ele é nascido em Catolés e conhece profundamente as características da natureza por ali.
Quando lhe perguntei se havia risco de “tromba d’água”, ele afirmou que o local é muito propício, mas que poderíamos ir sem problemas, pois já havia analisado o clima e a dita cuja não aconteceria naquele dia.
A aventura
A trilha em si é curtinha e dura cerca de 20 minutos em dias de sol, tempo que pode aumentar consideravelmente com chuva. A questão é que quase todo o percurso se dá saltando pedras em um leito de rio acidentadíssimo, e quando elas ficam úmidas ou molhadas, exigem perícia e muito cuidado, pois se tornam extremamente escorregadias.
Como estava chovendo, nossa aventura já iniciou bem hardcore! Após cerca de 40 minutos intensos, chegamos no local de acesso à Cachoeira Subterrânea, momento em que Du se posicionou na entrada e percebemos o tamanho da bronca. O barulho da cachoeira era alto, forte e vinha das entranhas da terra, denunciando o que estava por vir.
O pequeno buraco entre pedras que dá acesso à fenda da Cachoeira Subterrânea é desafiador para os mais cheinhos como nós, que precisam se contorcer para entrar. Um desafio imensurável para os claustrofóbicos!
Entramos na fenda escura, que tem cerca de 1 metro de largura, momento em que Du nos disse não saber nadar e que aguardaria pelo nosso retorno. Felipe também anunciou que não iria, ficando pra mim o desafio solo de tentar chegar até a cachoeira.
A questão é que existe um poço fundo de aproximadamente 20 metros de comprimento que precisa ser transposto nadando. Como ele é fechado por dois paredões lisos, não há onde segurar para se manter na superfície.
O volume d’água estava tão intenso que todo o percurso entre o poço e a cachoeira se tornou uma cortina d’água só, cuja força colossal colocava em risco uma travessia a nado. Havia grande dificuldade de se manter na superfície em razão do volume de água bombando sobre a cabeça.
Fui até o poço e, por prudência, desisti de ir adiante. Nosso guia então comentou que poderíamos fazer um outro percurso para tentar chegar à Cachoeira Subterrânea pelo lado oposto, que não tem poço e oferece possibilidade de avistá-la.
Assim fizemos, saímos da fenda, caminhamos um tempo pelo leito do rio e entramos em outro buraco, que dá acesso a uma fenda tão esquisita e escura quanto a principal.
O barulho da cachoeira ali era ainda mais ensurdecedor e a atmosfera muito mais hostil. Da mesma forma, ficou para mim a tentativa de avistá-la. Mergulhei na fenda que tem a mesma largura da outra, transpus uma primeira queda d’água e segui adiante até um ponto onde há um alto degrau. Dali consegui avistar a Cachoeira Subterrânea, que estava cerca de 15 metros escadaria abaixo.
Retornei e chamei Felipe, que foi comigo até o mesmo ponto para contemplar a força da natureza. Todo o percurso estava muito escuro e molhado, formando um rio de correnteza sob nossos pés. Filmamos o que pudemos e retornamos em segurança. Um dia especial que ficou na história das nossas aventuras pela Bahia Terra Turismo.
Como chegar em Catolés
Catolés fica a cerca de 32 km de Abaíra, a sua cidade sede. O percurso de carro dura cerca de 40 minutos, iniciando pela BA-148 e entrando à esquerda no trevo para Ouro Verde e Catolés. Dali em diante, são 20 km por estrada de barro, que atualmente encontra-se em obra e está sendo asfaltada.
A Vila de Catolés

O distrito de Catolés é o marco zero da cidade de Abaíra e surgiu no início do séc. XVIII com a exploração aurífera na região.
A vila é encantadora e está situada em um dos mais lindos vales da Chapada Diamantina, sendo cercada por imensas montanhas.
Catolés também é ponto de partida para quem busca a ascensão ao cume do Pico do Barbado (2.033 m), assim como as cidades de Rio de Contas e Piatã.
O vilarejo ainda oferece uma fantástica travessia conhecida como “Gigantes do Nordeste”, que dura 7 dias e 6 noites e acessa os 9 picos mais altos do Nordeste brasileiro.
Para qualquer trilha na região, nossa indicação é contratar o guia Laércio “Du”, que é profundo conhecedor dessa área da Chapada, é casca-grossíssima em se tratando de trilhas nas montanhas e uma pessoa de trato finíssimo.

Telefone Laércio “Du”: (77) 98124-6637.
Visto que você chegou até aqui e acompanhou atentamente nossa aventura até a Cachoeira Subterrânea em Catolés, conheça mais a fundo a cidade de Abaíra, que é famosa pela produção de uma das melhores cachaças do país, mas também oferece muita história, cultura e aventura!
Por Márcio Vasconcelos de O. Torres
Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com






