
Postado dia 20/09/26 | 9min. de leitura
Palmeiras, Bahia: 9 atrações que vão te encantar
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Palmeiras na Bahia é uma das 7 cidades que compõem o fantástico Parque Nacional da Chapada Diamantina, o coração pulsante dessa linda região serrana, considerada o principal celeiro do turismo de aventura no Brasil.
A Chapada Diamantina, com seus 24 municípios, é realmente um destino maravilhoso, uma verdadeira região que, de tão grande, caberiam alguns países europeus em seu território. Palmeiras é apenas uma amostra de tanta riqueza que há nessas paragens.
Repleta de trilhas extraordinárias em meio a chapadões, cânions e cachoeiras gigantes, é uma dádiva para ecoturistas e proporciona alguns dos mais imponentes espetáculos da região. Vamos conhecê-los?

História de Palmeiras: do ciclo do diamante aos dias atuais
A trajetória histórica e urbana do município de Palmeiras, na Chapada Diamantina, tem suas raízes no início do século XIX, antes mesmo das grandes corridas mineradoras que transformaram a serra baiana.
Entre 1815 e 1819, o lavrador Joaquim Pereira dos Santos, residente no povoado de Olhos D’água, adquiriu uma porção de terras do Sargento-mor Francisco da Rocha Medrado e construiu duas moradias, fundando a Fazenda Palmeiras. Mais tarde, ao migrar para a Província do Piauí, Joaquim transferiu a gestão da propriedade ao filho, Manoel dos Santos, mantendo o caráter estritamente agrário e pastoril daquela ocupação inicial.

A dinâmica territorial alterou-se de forma substancial em meados do século XIX, quando a descoberta e a exploração de jazidas de diamantes na Serra do Sincorá geraram uma intensa onda migratória. Garimpeiros procedentes de Santa Isabel do Paraguaçu (atual Mucugê) estabeleceram-se às margens do riacho Lajedinho, ao mesmo tempo em que frentes extrativas avançavam pelas imediações do Rio Cochó e da Serra Negra.
Em 1864, o florescente Arraial de Palmeiras já atraía levas de garimpeiros vindos de lavras vizinhas, como Lençóis e Andaraí, convertendo-se rapidamente em centro populacional e de apoio logístico à mineração.
Esse avanço material e demográfico logo se traduziu em consolidação institucional e religiosa. Em 1865, o Monsenhor Lino da Silveira Gusmão, vigário de Lençóis, iniciou a construção da capela local, posteriormente finalizada pelo intendente José Xavier Alves.
O abastecimento alimentar da mineradora impulsionou, paralelamente, a agricultura e a circulação de tropeiros em áreas circunvizinhas, como o distrito de Caeté-Açu (Vale do Capão), a Serra do Caxitu e as encostas do Morrão.

Reconhecendo essa relevância regional, a administração provincial de Antônio Luís Afonso de Carvalho elevou por lei, em 1889, a povoação de Palmeiras a Distrito de Paz subordinado a Lençóis.
A transição para o século XX trouxe o esgotamento progressivo das lavras e profundas reconfigurações sociais.
Durante a Primeira República, o município vivenciou o peso do coronelismo sertanejo sob a égide de lideranças como o Coronel Horácio de Matos, além de testemunhar, na década de 1920, a marcha da Coluna Prestes, lembrada pela memória popular como os "revoltosos".
Com o declínio do diamante, a economia local se rearticulou em torno da agricultura tradicional, da carvoaria e do tropeirismo mercantil, no qual tropas de mulas transportavam gêneros alimentícios e faziam a ligação comercial entre a serra e o Recôncavo Baiano, levando alimentos e trazendo fumo e manufaturas.
A partir do final do século XX, Palmeiras redefiniu novamente sua vocação com a criação do Parque Nacional da Chapada Diamantina, em 1985. As antigas trilhas de garimpo e as rotas de tropeiros converteram-se em caminhos de preservação ambiental e contemplação, impulsionando o ecoturismo sustentável.
Hoje, marcos paisagísticos e geológicos como o Morro do Pai Inácio e a bacia do Vale do Capão não apenas preservam o patrimônio natural da Bahia, mas consolidam o município como uma das principais portas de entrada para viajantes do Brasil e do exterior.
O que fazer em Palmeiras, Bahia
1. Igreja Matriz do Bom Jesus

A Igreja Matriz do Bom Sucesso surgiu em 1865, no auge do garimpo de diamantes no riacho Lajedinho. Ela começou como uma capela simples, criada pelo padre de Lençóis para atender os garimpeiros, e foi terminada anos depois pelo coletor de impostos José Xavier Alves.
Com o fim do ciclo dos diamantes e o crescimento da cidade em torno do comércio e dos tropeiros, a capela passou por reformas e virou a Igreja Matriz, dando origem à praça central que você vê hoje.
Ao visitar o local, o turista consegue ver as grossas paredes de pedra feitas pelos próprios garimpeiros da época da fundação, além de pias esculpidas em pedra local e peças antigas em madeira.
O grande destaque da visita é a imagem original do padroeiro Senhor Bom Jesus, uma escultura em madeira do século XIX, acompanhada por santos antigos de procissão e um altar clássico.

2. Casario Colonial
Ao caminhar pelas ruas de Palmeiras, o visitante encontra grandes e ricos sobrados e casas térreas do século XIX e início do século XX, erguidos nos tempos da riqueza dos diamantes.
Construídas em pedra e adobe, as casas têm portas e janelas em madeira pesada, sacadas com grades de ferro e beirais trabalhados.
Essas fachadas mostram onde moravam os negociantes e coronéis da época e onde funcionavam os armazéns dos tropeiros, mantendo vivo o passado histórico da cidade.
3. Museu da Cidade de Palmeiras
Ao visitar o museu, o visitante faz um mergulho no tempo do garimpo, depararando-se com um acervo reunido a partir da memória e da doação dos próprios moradores da região.

O espaço expõe ferramentas rústicas utilizadas na mineração de diamantes, como bateias, sarilhos e picaretas.
Também se veem utensílios de ferro e couro trazidos pelos tropeiros em suas viagens pelo sertão, e peças do cotidiano dos antigos casarões, como louças, ferros de passar a brasa e fotografias em preto e branco de famílias e festas religiosas.
É uma parada que mostra de perto como o povo simples, os mineradores e os fazendeiros viviam, trabalhavam e construíram a história do município.
4. Povoado de Campos de São João
Enquanto o centro de Palmeiras crescia com o garimpo de diamantes em 1864, o povoado de Campos de São João destacou-se pela pecuária e como parada estratégica de tropeiros, abastecendo as lavras de toda a região.
Esse passado mercantil e rural permanece vivo em marcos históricos locais, a exemplo da igrejinha de São João Batista, da casa "A Chácara", da toca de pedra do negro Abraão e das ruínas do casarão do fazendeiro Joaquim Pinto.
Atualmente, a vila preserva esse ritmo tranquilo e serve como base para o ecoturismo, rodeada pelas águas dos rios Preto e São João e pelo relevo da serra.
Além do acesso direto às trilhas rumo ao Morro do Pai Inácio, o visitante desfruta de banhos em corredeiras e poços naturais, como o Poço Verde, bem como de quedas d'água próximas, com destaque para a Cachoeira dos Brejões e a Cachoeira do Pai Inácio.
Não deixe Campos de São João sem visitar Dona Janete na loja de Doces D’Afra, situada em um casarão histórico do povoado. Acolhedora, ela encanta os visitantes com boa conversa, aromas e sabores de seus tachos, sendo uma parada especial para saborear e levar na bagagem compotas artesanais, doce de leite, licores e biscoitos. Visitá-la é a garantia de uma lembrança doce e típica antes do retorno.
5. Trilha para o Morro do Camelo
A trilha tem início na cidade de Palmeiras, possui 10,3 km no total (ida e volta) e costuma ser percorrida em até 8 horas de caminhada, ou seja, possui alto grau de dificuldade. Porém, é um percurso deserto e deslumbrante, oferecendo vistas impressionantes, incluindo ângulos excepcionais do Morro do Camelo.
6. Cachoeira do Pai Inácio

Singela, a cachoeira está situada atrás do Morro do Pai Inácio e, por isso, foi batizada com o seu nome. Possui trilha fácil com apenas 5 km (ida e volta) por um percurso plano, cercado de morros e lindas paisagens.
Para chegar até lá, é possível sair de Palmeiras de carro pela BR-242 em um percurso de 27,5 km até o local onde está o orquidário, situado em frente à Pousada do Pai Inácio. A trilha inicia a partir dali e leva até a cachoeirinha, que proporciona uma queda de aproximadamente 8 metros.
O local é perfeito para banho, seja nas águas calmas do poço ou diretamente sob a queda da cachoeira. O passeio também é uma excelente opção para crianças a partir de 6 anos, que conseguem percorrer toda a trilha com autonomia, sempre sob a supervisão dos pais.
7. Morrão (Monte Tabor)

O Morrão possui 1.418 metros de altitude e, para acessar seu cume a partir de Palmeiras, são cerca de 20 km.
O percurso pode ser realizado de carro até o início da Cachoeira de Águas Claras, onde inicia uma trilha de 1 km que leva aos pés do Morrão.
A partir dali, são mais 300 metros de ascensão pesada que exigem técnicas de escalaminhada. No entanto, o visual lá de cima compensa todo o esforço.
8. Trilha para o Morro do Camelo
A trilha tem início na cidade de Palmeiras, possui 10,3 km no total (ida e volta) que costuma ser percorrido em até 8 horas de caminhada, ou seja, possui alto grau de dificuldade. Porém, o percurso é deserto e deslumbrante, oferecendo vistas impressionantes que incluem ângulos excepcionais do Morro do Camelo.

Para que sua aventura seja mais segura, contrate um guia local em Palmeiras para realizá-la.
9. Vale do Capão
Conhecido oficialmente como Caetê-Açu e distrito de Palmeiras, o Vale do Capão estende-se por cerca de 10 km e encanta pelo ambiente acolhedor, onde nativos e moradores vindos de grandes centros convivem em perfeita harmonia com a natureza.
Para quem busca relaxar e se refrescar, a região reúne recantos imperdíveis, a começar pela Cachoeira das Rodas, com suas lajes de pedra, e pela movimentada Cachoeira do Riachinho, famosa por sua queda de 12 metros de altura.
O roteiro de banho no Capão inclui o poço escuro da Cachoeira do Rio Preto, a beleza selvagem da Cachoeira da Purificação e o agradável Poço da Angélica, além da Cachoeira de Águas Claras, que repousa aos pés da serra com lindas que douram ao final de tarde.

Vale estender a visita ao vizinho Povoado Conceição dos Gatos, charmoso refúgio comunitário onde trilhas leves levam à Cachoeira de Baixo, à monumental Cachoeira de Cima (Boa Vista) e ao tranquilo Poço das Cobras.
Para os amantes do trekking, a vila do Vale do Capão é a base ideal para explorar algumas das paisagens mais deslumbrantes da Chapada Diamantina. O grande destaque é a colossal Cachoeira da Fumaça, que pode ser contemplada do alto pela clássica Trilha da Fumaça por cima ou vivenciada intensamente no desafiador Trekking da Fumaça por baixo.
Essa última expedição é selvagem e passa por pontos icônicos como o Rio Queima Baêta, a Toca do Macaco, o Rio Capivara e as cachoeiras do Palmital e do Mixila. A atmosfera de aventura se completa com a lendária travessia do Trekking Vale do Pati, que revela maravilhas como o Morro do Castelo, o Cachoeirão por cima, o Poço da Árvore e a Cachoeira dos Funis.

Há ainda a possibilidade de outras exigentes e lindas caminhadas, como as que levam ao Morro do Pai Inácio e ao imponente Morrão (Monte Tabor), perfeitas para quem deseja vistas panorâmicas inesquecíveis.
Bibliografia
AZEVEDO, Paulo Ormindo de. Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia - Monumentos e Sítios da Serra Geral e Diamantina. v. IV. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo, 1978.
BANDEIRA, Renato Luís Sapucaia. Campos de São João - pedacinho do céu. Iraquara: Edição do autor, 2023.
MORAES, Walfrido. Jagunços e heróis: a Civilização do Diamante nas lavras da Bahia. Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 1984.
SALES, Herberto. Cascalho. Rio de Janeiro: Edições O Cruzeiro, 1964.
TEIXEIRA, Francisco Lima Cruz. Chapada, Lavras, Diamantes: percurso histórico de uma região sertaneja. Lauro de Freitas: Solisluna Editora, 2021.
Onde se hospedar em Palmeiras
Palmeiras possui algumas boas hospedagens para quem desejar se hospedar na cidade, a exemplo da Pousada Cachoeira da Fumaça, localizada bem próxima da rodoviária e que oferece acomodações simples e econômicas. É uma ótima opção para pernoite antes de iniciar expedições pela região.

A cidade também possui a Pousada O Casarão, situada no centro da cidade. Como o próprio nome diz, está instalada em um casarão histórico e proporciona muito charme na decoração e mobiliário antigos, além de um ótimo café da manhã.
Porém, as melhores hospedagens do município estão no Vale do Capão, e isso afirmamos em todos os sentidos, como sofisticação, conforto e infraestrutura. Destaque para a Pousada do Capão, que apresenta arquitetura fantástica, três restaurantes, adega exclusiva, lojinha de artesanatos, biblioteca, SPA, rio natural para banho, dentre outras regalias em meio à paisagem extraordinária, cercada de serras e muita natureza.
Como chegar em Palmeiras, Bahia
Existem três maneiras para se chegar a Palmeiras a partir de Salvador. A primeira é viajar de ônibus intermunicipal pela empresa Real Expresso, partindo da rodoviária em uma viagem de aproximadamente 7 horas, com saídas diárias pela manhã (07h), à tarde (13h) e à noite (22h ou 23h).
Para quem vai em carro próprio ou alugado, o melhor roteiro é pelas rodovias BR-324, BR-116, BR-242 E BA-849. São aproximadamente 446 km para uma viagem que dura em média 6 horas.
Mas há também a opção de contratar um transfer, uma maneira muito mais segura e confortável de viajar pela Bahia, incluindo cidades da Chapada Diamantina, como Palmeiras. Um receptivo estará à sua espera no aeroporto de Salvador ou no hotel onde estiver hospedado, para uma viagem direta em um automóvel novo e climatizado, conduzido por um motorista profissional e conhecedor das estradas baianas.
Agora que você tem em mãos um guia completo sobre Palmeiras, com suas principais opções de povoados, trilhas, mirantes e cachoeiras, conheça também a cidade de Lençóis, conhecida como capital histórica da Chapada Diamantina e porta de entrada dessa região fascinante do estado da Bahia.
Por Márcio Vasconcelos de O. Torres
Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com






