
Postado dia 23/05/26 | 8min. de leitura
Barra da Estiva: portal ao ecoturismo na Chapada Diamantina
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Situado no extremo sul da Chapada Diamantina, o município de Barra da Estiva é pouco conhecido pelo público que costuma frequentar a região, mas possui natureza belíssima, agricultura rica e cultura extraordinária, especialmente pela presença dos povoados quilombolas Camulengo, Ginete e Moitinha.
Confira tudo sobre Barra da Estiva, suas atrações naturais, culturais, gastronômicas, como chegar e também onde se hospedar.
Continue conosco até o final!

Como chegar em Barra da Estiva, Bahia
Barra da Estiva fica perto de onde? Respondendo a esta pergunta que costuma ser muito comum, a cidade é próxima de municípios como Piatã, Rio de Contas, Iramaia e Abaíra. Todos eles fazem parte da região baiana do ouro, exploração que precedeu em mais de um século à mineração do diamante.
Ela fica a 476 quilômetros de Salvador e a 85 quilômetros de Mucugê, sendo o limite sul da imensa Chapada Diamantina.

Para chegar lá a partir da capital baiana, é preciso passar primeiro pela BR-324 até Feira de Santana. Em seguida, percorrer a BR-116 Sul até o entroncamento que liga com a BA-046, passando por Itatim e Iaçu antes de entrar na BA-245.
Esta última conecta com a cidade de Itaetê, onde é possível encontrar a BA-142, que ainda passa por Mucugê e Ibicoara antes de chegar à Barra da Estiva. Não existem linhas de ônibus direto para a cidade, sendo preciso viajar para Mucugê e, de lá, pegar um táxi ou carro de aplicativo.
Sendo assim, a maneira mais rápida, segura e confortável de viajar direto entre Salvador e Barra da Estiva é contratando um transfer por meio de uma agência confiável.
História de Barra da Estiva: principais marcos
A cidade de Barra da Estiva, na Bahia, faz parte de uma região explorada desde 1580, quando sertanistas chegaram guerreando com as etnias originárias e passaram a explorar seu solo.
Somente no final do séc. XVIII, um sertanista de nome Sebastião da Rocha Pinto tomou posse de terras localizadas nas margens do Rio de Contas e que abrangiam boa parte do território atual de Barra da Estiva.

Após sua morte, o poderoso Conde da Ponte, possuidor da gigante sesmaria Casa da Ponte, reclamou a posse dessas terras, obrigando os herdeiros de Sebastião da Rocha Pinto a comprar-lhe o território. Assim, chegaram os primeiros habitantes, que passaram a viver em lugares conhecidos como Geralzinho e Ponta da Pedra.
Em 1890, o povoado de Fazenda do Gado desmembrou-se de Brejo Grande (atual Ituaçu) e se tornou o município de Jussiape, que englobava Barra da Estiva, Iramaia, Novo Acre e Triunfo do Sincorá como seus distritos.
Uma luta entre as famílias de coronéis da Fazenda do Gado (Jussiape) e Capão (Barra da Estiva), que durou 92 anos (1890-1982), desmembrou Barra da Estiva de Jussiape, quando tornou-se município autônomo.
Atualmente, a cidade é composta pelo distrito de Triunfo do Sincorá, que preserva um lindo casario colonial, e pela zona rural.
Bibliografia
IBGE. História de Barra da Estiva. Site IBGE.
O que fazer em Barra da Estiva
A pequena cidade de Barra da Estiva possui aproximadamente 26 mil habitantes, oferece lindas atrações naturais e rica cultura, especialmente na sua zona rural, onde estão as comunidades quilombolas Camulengo, Ginete e Moitinha.
Outro destaque é que a nascente do Rio Paraguaçu fica em seu território, sendo este o maior rio em extensão exclusivamente baiano.
Confira, a seguir, suas principais atrações:
Triunfo do Sincorá

Pequeno vilarejo que preserva lindo casario colonial datado do final do séc. XIX.
Um lugar bucólico, pacato, que mais parece cenário de cinema e cujos moradores estão sempre dispostos a uma boa prosa.
No local também se encontram a antiga estação férrea do Sincorá, os trilhos e uma ponte metálica, por onde ainda hoje passam trens.
Sem dúvida alguma, visitá-lo é uma oportunidade de aprender sobre a história e a cultura da região, especialmente se encontrar uma pessoa idosa. A região foi dominada pelo coronelismo e de uma simples conversa podem surgir muitas histórias!
Morro do Ouro

Trata-se de um dos pontos mais altos da Chapada Diamantina. Com 1.550 metros de altitude, o cume do Morro do Ouro pode ser acessado por meio de um passeio que funde estradas vicinais e uma trilha repleta de flores e plantas endêmicas.
O trecho de carro possui 11,3 quilômetros e a trilha, apenas 1,5 quilômetros. Apesar de relativamente curta, a ascensão até o cume exige bom preparo físico em razão da inclinação, que passa de 45º.
Ela atravessa pequenas nascentes de água pura e proporciona paisagens belíssimas, mas nada se compara ao visual em 360º do cume, um espetáculo da natureza que merece ser apreciado.
Morro da Torre ou Santa Bárbara
O Morro da Torre, também conhecido como Morro Santa Bárbara, possui 1.400 metros de altitude e permite acesso de carro até o cume, onde estão instaladas algumas torres de telefonia.
A estrada que leva até lá possui 13 quilômetros de extensão, podendo ser percorrida em aproximadamente 30 minutos de carro.
É mais uma bela atração de Barra da Estiva e que oferece vista especial da região. Do cume, é possível avistar a cidade de Barra da Estiva e o início da longa Cordilheira do Sincorá, além de apreciar o espetáculo do pôr do sol e muitas espécies da flora nativa.
Em razão da facilidade do acesso, o morro costuma ser frequentado pelos habitantes locais, sendo um lugar especial para a prática de piquenique.
Cachoeira Bom Jardim

O acesso até a Cachoeira do Bom Jardim se dá por meio de estradas vicinais que levam ao ponto onde inicia a caminhada.
Ela está em uma depressão, sendo preciso descer por uma trilha curta.
Possui uma larga queda d’água de 10 metros e um ótimo poço para banho. O visual fica ainda mais completo com o paredão de rochas por onde a cachoeira deságua.
A cidade ainda proporciona outras cachoeiras pouco conhecidas, como a Cachoeira Grande do Pedrão, a Cachoeira do Véu Gué e a Cachoeira da Mata.
Comunidade Quilombola do Camulengo
A Comunidade Quilombola do Camulengo é uma atração à parte, que merece ser explorada com calma em pelo menos 2 dias inteiros.

Com apenas 200 moradores, o lugarejo é um recinto de casinhas simplórias em torno de uma igrejinha emoldurada por lindas serras.
Estou falando de um ponto na antiga rota dos tropeiros que levavam alimentos para abastecer a exploração do ouro e, posteriormente, do diamante.
O povoado em si é uma fortuna! Um lugar de pessoas fraternas, humildes e que vivem suas tradições no cotidiano, sejam elas na lida da agricultura, na linda cantoria do Reisado ou nos festejos juninos, que lá se preservam com uma originalidade pouco vista.
Outro destaque são os povoados quilombolas Ginete e Moitinha, que podem ser visitados a partir do Camulengo. Cada um com sua característica e encanto, sendo que uma visita completa na cultura local não deve desprezá-los.

Quanto aos atrativos naturais, são muitos e belíssimos, confira:
Cachoeira do Florindo
Para chegar na Cachoeira do Florindo, são 20 minutos de caminhada em trilha fácil a partir do centro da comunidade.
No caminho, é possível ver pequenas lavouras de café e mirantes com vistas muito especiais dos campos e das serras da região.
A cachoeira possui uma linda queda de água de 15 metros de altura e é cercada por mata densa e sombreada por imensas árvores.
Cachoeiras Camada Preta e Bunda de Couro
A Comunidade Quilombola Camulengo está situada entre as grandes serras onde inicia a cadeia de montanhas do Sincorá.
Possui um lindo cânion dentro do seu território, que faz fronteira com a Serra da Raposa, em Iramaia, e suas imensas cachoeiras: do Fundão, da Raposa e Goiana.
O Cânion do Camulengo é extraordinário e possibilita uma trilha em formato de circuito num dos pontos mais preservados de toda a Chapada Diamantina. Há uma bifurcação no final do cânion, sendo que a trilha à direita leva até a inóspita Cachoeira da Camada Preta, e à esquerda, até a Cachoeira da Bunda de Couro.
A Cachoeira da Caimada Preta é tão isolada que até mesmo a maioria dos moradores do Camulengo a desconhecem, sendo que no dia que a visitamos, nosso guia Dulcimar afirmou que havia mais de 10 anos que ninguém ia lá. Ela possui cerca de 12 metros de queda e sua beleza está em todo o contexto já falado.
Retornando para a bifurcação e seguindo pela trilha à esquerda, também é preciso seguir por leito de rio para chegar na Cachoeira Bunda de Couro, que também oferece um cenário incrível, preservado e uma linda queda d’água com cerca de 20 metros de altura. Diferente da Camada Preta, a Bunda de Couro oferece um belo poço para banho.
Mirante “pôr do sol” Camulengo

O local é de fácil acesso, sendo que a maior parte do percurso é realizada de carro. Por isso é ótimo para famílias inteiras com crianças e idosos.
O mirante fica bem próximo às duas serras que levam o nome “Camulengo” e de lá é possível avistar as serras vizinhas do Ginete e do Betume.
De manhã cedo, quase sempre as serras ficam parcialmente cobertas por uma charmosa neblina, tornando a paisagem muito especial. Os ventos gelados que sopram neste local dão uma atmosfera agradável de montanha e o pôr do sol, um dos mais bonitos da Chapada Diamantina.
Onde comer no Camulengo

O povoado é organizado e possui uma cozinha comunitária, sendo possível contratar o serviço das cozinheiras locais para o preparo de refeições a serem servidas nos dias e horários marcados.
A comida é maravilhosa e um dos pontos altos do passeio turístico no Camulengo.
Não deixe de experimentar o “godó de banana”, o “cortado de palma” (espécie de cacto da região) e outros pratos feitos à base de verduras orgânicas e temperos muito especiais.
Como conhecer o Camulengo
O contato para conhecer a Comunidade Quilombola Camulengo, realizar suas trilhas e saborear seus pratos, deve ser feito através do guia Dulcimar.
Telefone do guia Dulcimar: (77) 9.9975-6153
Onde se hospedar em Barra da Estiva

Pernoitar na Comunidade Quilombola Camulengo é uma opção maravilhosa, pois além de conhecer seus atrativos naturais e culturais, o povoado oferece uma hospedagem super estilosa e aconchegante. É a Pousada Serra do Camulengo, cercada por lindas serras, com decoração colonial e muito aconchegante.
Para quem deseja se hospedar em Barra da Estiva, a cidade dispõe de algumas opções de pousadas e hotéis, com infraestrutura simplória e bom atendimento. A exemplo do Hotel Santa Rita, do Hotel Dantas, do Hotel Lago e da Pousada Viana.
Onde comer em Barra da Estiva
Além da já citada Cozinha Comunitária Camulengo, a cidade de Barra da Estiva oferece alguns restaurantes que servem comida típica da região, mas também há churrascarias, comida mineira, uma variedade de lanchonetes e até acarajé.
Cidades próximas de Barra da Estiva que vale a pena conhecer
Apesar de menos conhecida que a região do Parque Nacional, a Chapada Diamantina Meridional oferece muitas opções de destinos para todos os perfis de turistas.
Aos trilheiros mais experientes e com prática em escalaminhadas, sugerimos a incrível travessia pelos “Gigantes do Nordeste”. Ela pode ser realizada em 7 dias e 6 noites e visita os 9 mais altos picos do nordeste brasileiro, destacando o Pico do Barbado.

Outro destaque da região é o lindo Povoado da Raposa, em Iramaia, que fica de frente para um dos cenários mais espetaculares de toda a Chapada e desnuda a incrível Cachoeira do Fundão.
Há também a opção de conhecer Piatã, a cidade mais alta e mais fria do nordeste e que produz alguns dos melhores cafés especiais da Bahia!
Agora que já tem bastantes informações sobre Barra da Estiva e sua região, conheça também a cidade de Ibicoara, que fica bem pertinho de Barra da Estiva e possui duas das mais bonitas cachoeiras de toda a Chapada Diamantina: a do Buracão e a da Fumacinha.
Por Márcio Vasconcelos de O. Torres
Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com










