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Feira de São Joaquim: experiências sensoriais e culturais

Postado dia 21/12/25 | 6min. de leitura

Feira de São Joaquim: experiências sensoriais e culturais

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A Feira de São Joaquim é um dos espaços que melhor traduzem a identidade cultural de Salvador. Muito além das belas praias e da maior baía do Brasil, a capital baiana carrega uma herança reconhecida como Patrimônio da Humanidade, marcada pela miscigenação entre povos indígenas, africanos e europeus desde o período colonial.

Caminhar pelas ruas da cidade é uma verdadeira imersão histórica, e as feiras livres ocupam um papel central nesse cenário, sendo algumas das muitas opções do que fazer na cidade. Elas reúnem costumes e a essência popular que atravessam gerações. 

simplicidade e beleza da feira de são joaquim
Cores e sabores da Feira de São Joaquim.

Nesse contexto, a Feira de São Joaquim se destaca como a maior feira livre de Salvador e a mais tradicional do Recôncavo Baiano. Continue conosco para conhecer sua riqueza cultural, a diversidade de produtos, as opções gastronômicas e os eventos que fazem desse espaço um dos mais autênticos da cidade.

História da Feira de São Joaquim em Salvador

Em 1801, o antigo cronista Vilhena afirmou que na região conhecida como Água de Meninos já existia algum comércio. Segundo documentos antigos, a partir da década de 1920 existiu uma feira móvel controlada pela prefeitura, que não permitia pontos comerciais fixos. 

Porém, em 1930 uma feira foi instalada nas imediações do 7º armazém da Companhia de Docas da Bahia (CODEBA), que em razão disso passou a se chamar Feira do Sete. Posteriormente, um incêndio a destruiu por completo, sendo necessário que mudasse de lugar.

A grande movimentação de saveiros que vinham do Recôncavo carregados de produtos como farinha, cerâmica, frutas e artesanatos, influenciou a instalação da nova feira na enseada de Água de Meninos, que cresceu consideravelmente a ponto de receber obras de qualificação e uma inauguração oficial em 1959


Enseada Água de Meninos Feira de São Joaquim Salvador foto antiga
Foto antiga da enseada de Água de Meninos, onde a Feira de São Joaquim foi inaugurada em 1959 - Salvador

O nome Água de Meninos remete ao tempo em que os órfãos da Casa Pia de São Joaquim se banhavam na praia da enseada situada em frente à instituição em tempos remotos, bem antes de qualquer movimentação comercial na região.

Em 1964, a feira foi completamente destruída por um grande incêndio, sendo reconstruída em um terreno ao lado e rebatizada como Feira de São Joaquim. 

Uma dica é assistir ao filme “Cidade Baixa”, lançado em 2005 e que tem como protagonistas os atores baianos Wagner Moura e Lázaro Ramos. Ele apresenta muito da história e cultura da Feira de São Joaquim, que foi um dos seus principais sets de filmagem.

Feira de São Joaquim: lojas, bancas e barracas

artigos religiosos e outros
Diversidade espiritual na Feira de São Joaquim.

A Feira de São Joaquim recebe comerciantes de todo o Recôncavo Baiano, e também dos bairros periféricos de Salvador situados às margens da Baía de Todos os Santos

Os trabalhadores informais que lá atuam são, em geral, descendentes dos africanos escravizados, que comercializam diversos produtos em lojinhas, bancas e barracas, confira:

  • Lojas de artesanato: cestarias de palha, sisal, produtos em cerâmica;

  • Lojas para rituais de religiões de matriz africana: orixás em cerâmica e demais produtos que remetem a essas religiões;

  • Bancas e barracas: frutas, verduras, carnes, frutos do mar, camarão seco, pimentas diversas, folhas de todo tipo, incluindo as que curam mau olhado, grande variedade de temperos etc.

Caminhar pela Feira de São Joaquim é como voltar ao passado, basta ter bons olhos para observar os detalhes, a origem dos seus produtos, quem os produz e como são utilizados. Enfim, um grande quebra-cabeças de informações, cheiros e cores que vale muito a pena conhecer!

Gastronomia na Feira de São Joaquim

Bar e Restaurante São Jorge Feira de São Joaquim Salvado
Bar e Restaurante São Jorge, na Feira de São Joaquim - Salvador

Os restaurantes da Feira de São Joaquim estão localizados de frente para o mar em uma curta orla marítima. Destaque para o amplo e organizado Bar e Restaurante São Jorge, que oferece um cardápio completo da culinária baiana, mas também feijoada, sarapatel e outras delícias regionais. A vista também é espetacular e pode ser apreciada especialmente no horário do pôr do sol.

Se o objetivo é aproveitar uma mesa de frente para o mar no almoço, procure chegar cedo, pois o restaurante costuma lotar nesse horário. Fique atento também ao Samba da Feira, que acontece todos os domingos no píer flutuante a partir das 10:00.

Dias e horário de funcionamento do Bar e Restaurante São Jorge: de terça a sábado, das 08:00 às 18:00; domingo, das 07:00 às 17:00.

Requalificação da Feira de São Joaquim

É importante ressaltar que a Feira de São Joaquim vem passando por transformações estruturais por meio de obras de requalificação empreendidas pelo Governo do Estado da Bahia. 

Novas estruturas na Feira de São Joaquim - Reprodução / Site Conder
Novas estruturas na Feira de São Joaquim - Reprodução / Site Conder

A primeira etapa ocorreu na orla, com dragagem, reforma no quebra-mar, construção de píer flutuante e instalação de boxes e restaurantes. 

A segunda etapa da obra está acontecendo e pretende entregar 407 novos boxes, 116 bancas e 53 pallets, além de um galpão de carnes e vísceras, 16 blocos de comércios variados, estacionamento e via perimetral com calçadão na orla da Baía de Todos os Santos. A previsão de entrega de todo esse aparato é neste mês de dezembro.

A Feira de São Joaquim está cada dia mais bonita e preparada para receber soteropolitanos e turistas, que lá se encontram para importante intercâmbio cultural.

Mais informações sobre a feira

A Feira de São Joaquim está localizada na Cidade Baixa, mais especificamente na Av. Eng. Oscar Pontes, entre o Terminal Marítimo de São Joaquim e o bairro da Calçada. 

Seu horário de funcionamento é de segunda a domingo, das 05:00 às 17:00.

Como chegar à Feira de São Joaquim em Salvador

O mais indicado é chegar de táxi, Uber, ou contratando um transfer por meio de agência confiável, já que a feira está localizada em uma região pouco segura para a circulação de turistas. Por essa razão, a utilização de transporte público para chegar até lá não é a melhor opção.

Atrações próximas

Alguns atrativos estão bem próximos da Feira de São Joaquim e podem ser visitados como parte do roteiro de um dia. É importante salientar que para quem curte história, Salvador é um mundo quase infinito. 

Para quem tem apenas um dia para este passeio, é importante montar um roteiro e ser fiel ao mesmo, já que outros monumentos importantes surgem a cada instante.

Listamos algumas sugestões, confira:

  • Ponta do Humaitá: um dos locais mais bonitos da cidade e que agrupa diversos monumentos históricos a serem visitados. Entre eles está o antigo Forte Monte Serrat, a Igreja e Mosteiro de Nossa Senhora de Monte Serrat, o Farol do Humaitá e o casarão da família Garcia d’Ávila, datado de 1619 e onde funciona um ótimo restaurante. 

  • Casa Pia e Colégio de Órfãos de São Joaquim: complexo arquitetônico muito antigo e que faz parte da história da Feira de São Joaquim. Possui salões nobres com rico mobiliário e ótimo acervo de obras de arte.

  • Igreja de Nossa Senhora da Boa Viagem: localizada de frente para o mar cristalino da praia da Boa Viagem, a Igreja da Boa Viagem é literalmente pé na areia. Além de linda, ela faz parte da bela Festa do Bom Jesus dos Navegantes, que acontece em Salvador no dia 31 de dezembro.

  • Igreja Basílica do Senhor do Bonfim: é a igreja mais emblemática e cartão postal da cidade. Ir a Salvador e não conhecer a Igreja do Bonfim é como não ter ido à capital baiana.

  • Mercado Modelo: local onde se encontra todo tipo de artesanato da Bahia e que compõe uma das paisagens mais bonitas e históricas de Salvador. No seu subsolo funciona a Galeria Mercado Modelo, que proporciona um festival de luzes e muitas obras de arte.

  • Cidade da Música da Bahia: situada em um belíssimo e imponente casarão histórico e ao lado do Mercado Modelo, a Cidade da Música da Bahia é um museu fantástico onde o turista encontra tudo sobre a musicalidade baiana. O espaço ainda proporciona café, loja, midiateca e karaokê.

  • Elevador Lacerda: liga a Cidade Baixa à Cidade Alta, sendo ainda hoje importante meio de transporte. Não deixe de apreciar a vista lá de cima, é panorâmica e espetacular. Vale lembrar também que a Praça Tomé de Sousa, acima do elevador, é portal de acesso ao magnífico centro histórico de Salvador.

  • Solar do Unhão: complexo arquitetônico antiquíssimo e composto especialmente por uma igreja e um casarão, onde funciona o Museu de Arte Moderna (MAM). Um dos melhores lugares para apreciar o pôr do sol em Salvador.

  • Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia: uma das mais imponentes e importantes igrejas da cidade, de rara beleza e que guarda ruínas ainda mais antigas em seu interior. 

Agora que você já está por dentro das principais informações sobre a Feira de São Joaquim, conheça também o Terminal Marítimo de São Joaquim. Ele fica ao lado da feira e é de onde saem os ferry boats que atravessam a Baía de Todos os Santos até a ilha de Itaparica, outro ótimo passeio para fazer!

Bibliografia

Vilhena, Luís dos Santos. A Bahia no Século XVIII. v.1. Salvador: Editora Itapuã, 1969.


Por Márcio Vasconcelos de O. Torres

Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com


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