
Postado dia 05/06/26 | 10min. de leitura
Seabra: base estratégica para explorar a Chapada Diamantina
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Seabra fica na Bahia e é um dos municípios que compõem a imensa região da Chapada Diamantina. A cidade tem tudo para ser a sua base de exploração dessa grande região baiana repleta de belezas naturais.
Ela está muito bem situada, a começar pelo fato de ficar à margem da rodovia BR-242, que corta a Chapada Diamantina longitudinalmente, ou seja, de Leste a Oeste e que liga o Estado da Bahia a Brasília.

Outra vantagem é Seabra estar bem próxima do Parque Nacional da Chapada Diamantina, região central onde estão os principais atrativos turísticos da região, mas também de outros destinos muito importantes fora do Parque e que oferecem atrações muito especiais.
Além disso, outro fator que a coloca como uma ótima sede é a sua zona rural, repleta de comunidades que preservam muito da identidade cultural dessa grande região baiana composta por 24 cidades.
Continue conosco e descubra Seabra!
História de Seabra, Bahia: principais marcos
A origem de Seabra está ligada à construção da Estrada Real no séc. XVIII, que por sua vez tinha por finalidade ligar as duas principais cidades da exploração aurífera na Bahia: Jacobina e Rio de Contas. Muita gente foi atraída pela cobiça do ouro, mas o minério não foi justo em sua exploração, gerando grande desilusão à maioria dos exploradores.

Assim, muitas pessoas que transitavam pela Estrada Real e que não haviam obtido êxito com o ouro se fixaram nas terras que hoje compõem o município de Seabra, passando a se dedicar à pecuária e à agricultura.
O primeiro assentamento tinha algumas casas de palha, local onde a Igreja de Nossa Senhora da Conceição foi construída em 1847.
Em 1863, o povoado foi elevado à condição de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Campestre, sendo posteriormente a primeira sede do município.
Foi elevada à vila com o nome de Vila Agrícola de Campestre e se emancipou de Lençóis em 1889. Recebeu o nome atual em 1922, uma homenagem ao Governador José Joaquim Seabra.
A cidade fez parte da sub-região conhecida por Lavras Diamantinas, juntamente com Andaraí, Mucugê, Lençóis e Palmeiras. O fato de nela não terem sido encontrados veios de diamantes a tornou uma importante produtora de alimentos agrícolas que abasteciam as feiras livres das cidades onde a exploração do diamante era primordial.
Além disso, Seabra foi um dos principais palcos do Coronelismo, sendo local de batalhas homéricas entre alguns dos coronéis mais famosos do Nordeste. Foi lá que aconteceu a Guerra dos Barulhos em 1914, no distrito de Campestre, onde a luta pelo poder levou à morte Vítor Matos, irmão do famoso coronel Horácio de Matos.

Em 1915, Campestre foi sitiada por centenas de jagunços do coronel Horácio de Matos, que lutaram contra os homens do coronel Manoel Fabrício, aquartelados na Igreja de N. S. da Conceição. Foram 6 meses de batalhas com dezenas de mortos de ambos os lados, que culminaram com a derrota do Coronel Manoel Fabrício.
No bojo da narrativa de breves históricos como este, quase nunca se fala da grande maioria da população. A sociedade da mineração era colonial e escravocrata, agindo como de costume quando encontrou as etnias tapuias que ali viviam, catequizando, escravizando, matando e roubando-lhes as terras.
O sistema escravocrata logo importou africanos do litoral, e foram eles que realmente fizeram acontecer a riqueza da região, bem como o alicerce da formação do Coronelismo. Seabra possui muitos povoados em sua zona rural, muitos deles remanescentes de quilombos, onde estão partes importantes de sua história e a essência cultural do município.
Bibliografia
AZEVEDO, Paulo Ormindo de. Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia - Monumentos e Sítios da Serra Geral e Diamantina. v. IV. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo, 1978.
Como chegar em Seabra
Seabra está a 466 quilômetros de Salvador, segundo pelas rodovias BR-324, BR-116 e BR-242.
Para quem vai de ônibus, a empresa Guanabara Rápido Federal oferece os seguintes horários diários a partir da Rodoviária de Salvador: 08:00, 13:00, 16:30, 18:30, 19:15, 19:30, 20:10, 20:45 e 23:00, para viagens que duram aproximadamente 08:30.
Porém, se você deseja uma viagem mais rápida e mais confortável, a alternativa é contratar o serviço de transfer, cujo receptivo te busca no desembarque do seu voo ou no hotel onde estiver hospedado. Além disso, a viagem dura apenas 6h30 em um automóvel novo e climatizado, proporcionando, além de conforto, muito mais segurança.
O que fazer em Seabra: 8 opções incríveis
1. Grutas e cavernas a caminho de Iraquara

O território de Seabra possui uma imensa variedade de grutas e cavernas. Somente no município, são 13 opções catalogadas, a exemplo do Bolo de Noiva (antigo Buraco do Cão), da Santa, da Diva, de Maura, do Talhão, da Gameleira Preta e da Lagoa Grande.
Porém, é importante conferir com um guia local quais delas estão disponíveis para visitação no período em que estiver por lá, já que algumas foram recém descobertas e ainda não oferecem a devida segurança.
Além disso, a cidade está bem próxima de outras tantas cavernas de Iraquara, a exemplo da extraordinária Caverna Torrinha, que fica a apenas 34,8 quilômetros de lá.
2. Povoado de Campestre
O povoado de Campestre é o marco-zero de Seabra e sua arquitetura se mantém bem próxima do que foi no período da sua formação.
Nele, um casario simplório e antigo cerca a linda Igreja de Nossa Senhora da Conceição, uma das mais antigas da região do diamante. Foi inaugurada em 1847, conforme a data assinalada em sua fachada, e está localizada em uma praça de terreno inclinado ao centro do povoado.
Campestre fica a 12 quilômetros da sede Seabra e possui ruas de pedra que tornam o local ainda mais charmoso e com a característica típica das antigas cidades construídas por garimpeiros.
A igreja possui uma nave única, capela-mor e duas sacristias, forro de forma abobadada e piso em lajota de barro. Sua arquitetura é simples e guarda imagens das Virgens da Conceição e do Rosário.
Abaixo, algumas datas importantes da cronologia do povoado e da igreja:
1847: Inauguração da Igreja de Nossa Senhora da Conceição.
1863: Foi criado o Distrito de Paz e Freguesia de N. Sra. da Conceição de Campestre, anexa à cidade de Rio de Contas.
1868: A freguesia foi desmembrada de Rio de Contas e anexada ao município de Lençóis.
1889: Por influência do Coronel Heliodoro de Paula Ribeiro, Campestre foi elevado à categoria de Vila.
1891: A vila se torna cidade.
1915: Campestre, reduto do Coronel Manoel Fabrício de Oliveira, foi sitiada durante 45 dias pelo Chefe Horácio de Matos como vingança pela morte de seu irmão Vitor de Matos. Como condição para o levantamento do cerco à cidade, uma Lei Estadual mudou a sede do município para o Povoado de Cochó do Pega, com o nome de Dr. Seabra.
1926: A Coluna Prestes ocupou a igreja.
3. Povoado de Alagadiço
O Povoado de Alagadiço é pequenino e seu casario colonial foi todo construído em adobe, ou seja, com tijolos de barro. Por essa razão, boa parte das casas em ruínas vem se acabando rapidamente e, se não houver uma intervenção imediata, a cidade pode perder importantes monumentos históricos.

Por lá passava a Estrada Real, sendo ainda possível encontrar alguns vestígios dela. Mas também ocorre a presença da Estrada da Boiadeira, a mais antiga da região e por onde passavam boiadas que abasteciam as minas de ouro em Minas Gerais.
O povo local ainda hoje fala da passagem dos “revoltosos”, a Coluna Prestes, outro importante marco no contexto histórico da região.
Portanto, Alagadiço é um local crucial para o entendimento da história social da colonização nos sertões da Bahia, carecendo de pesquisas historiográficas que possam trazer à luz peças importantes nesse quebra-cabeças.
Quanto ao passado remoto, o Povoado de Alagadiço possui 19 sítios arqueológicos repletos de painéis com pinturas rupestres. As datações são variadas, mas todas elas são da transição entre os períodos paleolítico e neolítico. O povoado ainda conta com um antigo cemitério indígena.
4. Povoado de Vale do Paraíso (Gado Bravo)
O atual Vale do Paraíso tinha por nome “Gado Bravo” e é mais um povoado de Seabra que nasceu por meio do garimpo, com casinhas construídas no estilo colonial popular.
No local encontra-se a Igreja Bom Jesus, cuja datação não é precisa, mas estima-se pela arquitetura que tenha sido construída entre o final do séc. XIX e início do séc. XX.
Ao seu lado está um cemitério curioso, com belas lápides de inspiração bizantina e semelhantes ao Cemitério Santa Isabel em Mucugê. Sua arquitetura está associada à forte influência cultural e estética do garimpo de diamantes, sendo o Povoado do Gado Bravo um importante ponto da Estrada Real que a conectava com Campestre, a primeira sede do município.
O trânsito de mineradores, tropeiros e negociantes de diamantes, cuja origem era em sua maioria composta por gregos e turcos, levou para o local a inspiração do cemitério, especialmente entre 1853 e 1855, quando a região da Chapada Diamantina foi devastada por uma epidemia de varíola e cólera. Foi exatamente nesse período que foram construídos os principais cemitérios da região, incluindo o de Gado Bravo.
O povoado ainda se destaca pela presença da linda Serra do Gado Bravo, cujo cume possui a altitude de 1415 metros. A trilha que leva até lá é belíssima e recheada de orquídeas, bromélias, cactos, além de muitos painéis de pinturas rupestres.
5. Povoado de Cochó do Malheiro
O nome Cochó deriva do Rio Cochó, cuja nascente fica localizada na cidade de Piatã. O povoado surgiu em relação direta com a mineração do diamante, com a cidade de Lençóis e um grande mercado de gado que lá existiu no séc. XIX. Este último abastecia toda a cercania e gerou uma riqueza significativa, ainda presente em ruínas e casarões suntuosos que podem ser vistos no local.
Personagem clássico na memória coletiva do povoado, o coronel Heliodoro de Paula Ribeiro era rico criador de gado e tinha muitos comércios pelos sertões da Bahia. As batalhas sangrentas que ele empreendeu contra o coronel Felisberto de Andrade Sá, cujo poder tinha grande estatura em Lençóis, duraram meses, com muitas mortes de ambos os lados.
Essas batalhas destruíram o povoado em 1895, restando alguns casarões e, dentre eles, a casa da família do próprio coronel Heliodoro, além de alguns comércios.
Ainda é possível ver as ruínas da Igreja de Santo Antônio, um dos mais antigos monumentos da comunidade. Porém, sua arquitetura de adobe não lhe oferece grande resistência e, se não houver uma intervenção urgente, em pouco tempo estará fadada ao aniquilamento total.
6. Povoado de Lagoa da Boa Vista

Algumas famílias que acompanhavam a passagem da Coluna Prestes pela Chapada Diamantina resolveram permanecer na região, parando nas terras do atual Povoado de Lagoa da Boa Vista e ali fundando algumas fazendas no final do séc. XIX.
O povoado em si também foi formado pelas características da produção de alimentos que sustentavam o ciclo da mineração do diamante.
O vilarejo gira em torno de uma praça retangular e algumas ruas, e ainda preserva muitos exemplares da arquitetura original. Ele também é ponto de partida para a Cachoeira do Riachão, uma queda d’água interessante e muito acessada pelos moradores locais.
7. Biblioteca Municipal Prof. Sá Teles

A Biblioteca Municipal Prof. Sá Teles é uma homenagem a um dos filhos mais ilustres de Seabra. O Prof. Sá Teles nasceu em 1915 na zona rural da cidade e dedicou toda a sua vida ao magistério, além de ter realizado passagens marcantes pelo serviço público.
Formado em Filosofia e em Pedagogia na UFBA, foi assessor de Anísio Teixeira enquanto Secretário de Educação (1947–1952), professor da UFBA e da UCSAL, além de escritor. Também exerceu o mandato como Deputado Estadual na Bahia e pessoa influente no desenvolvimento de Seabra.
A biblioteca com seu nome funciona em um casarão colonial situado no centro da cidade e possui um acervo sobre sua história, além de uma vasta coleção de livros de todos os gêneros.
8. Igreja do Bom Jesus

Apesar de ser relativamente moderna, a Igreja de Bom Jesus é um dos pontos turísticos mais impressionantes de Seabra. Ela é a Catedral da cidade e foi construída na década de 1970, sendo o maior marco arquitetônico e religioso da cidade.
O gigantesco templo foi erguido em quartzo rosa e projetado pelo frei capuchinho Justo Venturi. Além de um importante centro de fé na região, é um símbolo das ações sociais, educacionais e culturais desenvolvidas pelos freis na cidade.
Infraestrutura de Seabra, na Chapada Diamantina
Seabra é uma cidade desenvolvida e possui campus da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e do Instituto Federal da Bahia (IFBA), além de algumas opções de faculdades privadas.
A cidade dispõe de muitas opções de barzinhos que funcionam à noite e são uma ótima alternativa para descontrair após os passeios diurnos.

O turista também encontra em Seabra muitos supermercados, além de ser a sede do Hospital Regional da Chapada, que oferece um atendimento excelente e amplo no caso de uma necessidade médica.
Onde ficar em Seabra
Quanto à rede hoteleira, é vasta e variada, com hospedagens para todos os gostos e bolsos. Destaque para a ótima Pousada Imperial, que oferece quartos amplos, climatizados, excelente atendimento e fica logo na entrada da cidade.
Seabra ainda conta com outras hospedagens de boa qualidade, como a Pousada Seabra, o Hotel Palace e o Chapada Hotel.
Seabra: portal da Chapada Diamantina Meridional
A localização de Seabra também é estratégica para quem quiser explorar o sul da Chapada Diamantina, cujo povoamento remete à mineração aurífera que aconteceu mais de 100 anos antes da descoberta do diamante e do surgimento de cidades como Lençóis e Mucugê. Essa região é bem menos explorada pelo turismo e oferece inúmeras possibilidades.

Para se ter uma ideia, a cidade de Piatã, que é a mais alta e mais fria do Nordeste brasileiro, fica a apenas 113 km de distância de lá. A histórica cidade de Rio de Contas fica a 215 km, Barra da Estiva a 186 km, Iramaia a 243 km, Ibicoara a 179 km, Itaetê a 204 km e Abaíra, a apenas 106 km.
Ou seja, iniciando sua viagem por Seabra, você poderá explorar os picos mais altos do Nordeste, começando pelo gigante Pico do Barbado. Também poderá conhecer povoados históricos como Catolés (Abaíra), o Povoado da Raposa (Iramaia), comunidades quilombolas como Camulengo (Barra da Estiva) e cachoeiras gigantescas como a da Encantada (Itaetê), Fumacinha e Buracão (Ibicoara).
Portanto, tomar Seabra como ponto de partida para as mais variadas expedições na Chapada Diamantina é uma ideia a se analisar!
Guia Profissional em Seabra

Nossa guia em Seabra é Sirlene Sousa, turismóloga muito competente e pesquisadora perspicaz sobre a historiografia da cidade. Todo o roteiro realizado para a produção deste artigo foi realizado em sua companhia agradabilíssima.
Telefone Sirlene Sousa: (75) 99825-2516
Agora que você já está por dentro das principais informações a respeito de Seabra, bem como sobre a possibilidade de estender sua viagem aos destinos localizados na borda sul da Chapada Diamantina, confira também tudo o que precisa saber sobre Lençóis, a cidade mais famosa da Chapada Diamantina, que está a apenas 71,6 quilômetros de Seabra e sem dúvida alguma, é um dos destinos mais emblemáticos do Brasil!
Por Márcio Vasconcelos de O. Torres
Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com


















