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11 lendas da Bahia: mitos e histórias do folclore baiano

Postado dia 10/03/26 | 10min. de leitura

11 lendas da Bahia: mitos e histórias do folclore baiano

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Existem lendas da Bahia muito antigas, que atravessaram os séculos e ainda permanecem vivas, seja no imaginário popular, em monumentos históricos, ou mesmo, em lugares considerados místicos. 

Certamente, conhecer algumas delas pode ser importante na sua viagem à Bahia, já que o folclore é um elemento relevante da cultura e faz parte do cotidiano dos lugares.

Lenda do Morro do Pai Inácio Lendas da Bahia
O salto do negro Inácio na famosa lenda que deu nome ao Morro do Pai Inácio na Chapada Diamantina - Lendas da Bahia

Assim sendo, elencamos 11 lendas do folclore da Bahia que impressionam e que você não pode perder. São histórias que fazem parte do turismo na Bahia. Confira!

11 lendas da Bahia para entender melhor a cultura popular

1. O Sonho de Paraguaçu

No início do séc. XVI, a tupinambá Catarina Paraguaçu estava casada com um náufrago português de nome Diogo Álvares, mais conhecido como “Caramuru”. Ambos viviam na região entre o Farol da Barra e o bairro da Graça, sendo Caramuru uma forte liderança tupinambá àquele tempo. 

Óleo sobre tela O Sonho de Paraguaçu
A famosa tela de Manoel Lopes Rodrigues "O Sonho de Paraguaçu"

Uma lenda conta que Catarina paraguaçu sonhou com uma mulher misteriosa vestida de branco. Ela pedia socorro e também que lhe construísse uma casa. 

Uma nau castelhana de nome Madre de Dios havia naufragado a poucos dias nas cercanias da Ilha de Boipeba, com 90 dos seus tripulantes morrendo em batalha contra os tupinambás e os poucos sobreviventes, chegando em uma embarcação pequena no povoado de Caramuru e Paraguaçu. 

Eles narraram o que lhes aconteceu, de maneira que Paraguaçu rogou ao seu marido que fosse ao local do naufrágio, onde possivelmente haveria outros sobreviventes. No local da tragédia, Caramuru encontrou 4 espanhóis escondidos e uma imagem encaixotada de Nossa Senhora em tamanho real. 

Quando Caramuru mostrou a imagem da Virgem para sua esposa, a mesma afirmou que esta era a mulher do seu sonho. Assim, mandou construir a Igreja de Nossa Senhora da Graça como a casa que Nossa Senhora havia lhe pedido que construísse. 

A lenda foi eternizada por Manuel Lopes Rodrigues, que em 1871 pintou uma obra em óleo sobre tela, dando-lhe o nome de “O Sonho de Catarina Paraguaçu”.

2. A lenda baiana de São Tomé em Paripe

landa baiana
A Igreja de São Tomé de Paripe é do tempo da lenda de São Tomé em Paripe - Reprodução / @myphantomtoy

Os tupinambás que viviam em Paripe, atualmente bairro do subúrbio de Salvador, cultuavam a lenda de Zumé, um personagem muito antigo que teria navegado de longe para lhes pregar o bem. Quando os jesuítas chegaram à região nos primórdios do séc. XVI, ouviram dos tupinambás essa história, e pela semelhança dos nomes, acreditaram ser Zumé o apóstolo de Cristo São Tomé. 

Ficaram ainda mais convictos quando os indígenas lhes mostraram 4 pegadas esculpidas em rocha próxima à praia, que logo os religiosos atribuíram ao santo católico. 

Este é mais um dos mitos da Bahia oriundos dos jesuítas, que certamente criaram muitas histórias para facilitar o processo de catequese dos originais da terra e lhes convencer quanto à cristianização.

Como parte da missão jesuíta em Paripe e marcando a crença dos mesmos na presença de São Tomé por lá, a Igreja de São Tomé de Paripe foi assim batizada em homenagem ao apóstolo, bem como a Praia de São Tomé de Paripe.

3. A Dama da Lagoa do Abaeté

Dama da Lagoa do Abaeté Lendas da Bahia
Dama da Lagoa do Abaeté - Lendas da Bahia

A Lagoa do Abaeté fica no bairro de Itapuã, em Salvador, e é palco de um dos mitos da Bahia que remonta ao tempo da colonização. 

Os mais velhos ainda narram uma história em que nas noites de lua cheia, quando as águas da lagoa ficam lindamente prateadas, uma mulher branca, de cabelos negros e escorridos emerge das águas da lagoa. Com seu vestido azul esvoaçante, caminha encantando os homens que ali se encontram, sejam eles quem forem, desde que estejam sozinhos.

Sua voz entoa um canto doce e suave, e como uma sereia, leva esses homens para o fundo da lagoa para nunca mais voltarem. Ela os transposta para um lugar encantado onde ficam hipnotizados e presos pela eternidade sob domínio da misteriosa mulher, mais conhecida como Dama da Lagoa do Abaeté, ou Mãe D’’água da Bahia.

Quanto à origem do mito, dizem ser uma divindade das águas que costuma punir os homens de coração impuro. Outros afirmam que a dama é um espírito de uma mulher traída e afogada na lagoa, que se vinga do traidor afogando todos os homens solitários que encontra.

4. O tesouro escondido na Fonte Nova

Tesouro escondido na Fonte Nova Lendas da Bahia
Tesouro escondido na Fonte Nova - Lendas da Bahia

Existem muitas lendas na Bahia sobre tesouros escondidos, mas saiba que essas histórias têm um fundo de verdade. No Morro de São Paulo, por exemplo, foi intensa a presença de corsários e piratas nos séculos XVII e XVIII, e certamente existem tesouros enterrados por lá.

Quanto a Salvador, sabe-se que foi invadida pelos holandeses em 1624, e que os batavos continuaram tentando o domínio da cidade até a década de 1640, retornando diversas vezes e aterrorizando os moradores da cidade. Muito natural, portanto, que muitos enterrassem suas riquezas na iminência da cidade ser mais uma vez dominada, como em 1624.

Daí surge a lenda do tesouro enterrado na Fonte Nova. Mas não o estádio de futebol, e sim a fonte que lhe deu o nome, situada aos pés de uma subida batizada como Ladeira da Fonte Nova. 

Na década de 1920, a mídia baiana narrava sobre tesouros enterrados em Salvador, textos sensacionalistas que levaram inúmeras pessoas a uma verdadeira caça ao tesouro.

O tesouro da Fonte Nova seria uma arca de ferro ou bronze, repleta de ouro, prata e joias em pedras preciosas. O local foi alvo de aventureiros que chegaram a escavar, adentrando nos famosos túneis subterrâneos de Salvador, como o que é acessado pela Igreja da Ordem Terceira do Carmo.

Um estudante da Escola Politécnica teria encontrado a arca em 1907, mas não conseguiu removê-la, pois a mesma estava parcialmente enterrada. Posteriormente, outros homens a teriam visto, traçando perfis e descrições diversas sobre a mesma, conforme publicação do jornal A Tarde de 22 de julho de 1915.

Há até quem a tenha encontrado, bem como um crucifixo de ouro descoberto nos arredores e noticiado pelo mesmo jornal em 1928. Por fim, o Governo da Bahia agiu proibindo as escavações. 

Em 1950, o estádio da Fonte Nova foi construído no local, tendo sido retirado toneladas de terra para seus alicerces. Se alguém encontrou o tesouro, certamente não contou essa parte da história.

5. A lenda do Morro do Pai Inácio

Salto de Inácio Lenda do Pai Inácio Lendas da Bahia
O salto de Inácio na Lenda do Morro do Pai Inácio - Lendas da Bahia

A história contada sobre o nome do Morro do Pai Inácio é uma das mais belas lendas baianas, e está viva no imaginário da população que vive na Chapada Diamantina

Segundo se diz, um escravizado de nome Inácio tinha como senhor um poderoso fazendeiro que vivia em Lençóis. Sua filha e Inácio se apaixonaram e viveram um romance oculto, quando o fazendeiro soube do ocorrido. Enfurecido, mandou seu capataz torturar e matar o pobre Inácio, que segundo ele, estava abusando da sua filha.

A sinhazinha soube da decisão do pai e correu para o amado, decidida a contar-lhe o que aconteceria se ele não fugisse. Inácio resistiu, mas acatou a ideia da sua amada, dizendo-lhe que voltaria a encontrá-la para viverem juntos. 

Logo o capataz adentrou à senzala, mas não encontrou Inácio. Ao contar da fuga para o senhor, o mesmo interrogou sua filha, que acabou cedendo e confirmando tudo.

O capataz e seus capangas passaram a vasculhar cada canto da região, com a promessa de levar Inácio vivo para a fazenda, onde seria torturado e serviria de exemplo para os outros na senzala. Meses se passaram, sendo Inácio procurado em cachoeiras, grutas, cavernas, mas não o encontraram. 

Um dia, o capataz soube por alguém do paradeiro de Inácio, que estava vivendo próximo de um rio e abaixo de um morro alto com uma sombrinha branca que sua amada lhe dera. Quando foi encontrado repousando numa pequena gruta, disparou em fuga e subiu o morro. 

Estava Inácio à beira de um precipício quando o capataz e os capangas se aproximaram. Foi então que o negro Inácio correu e se lançou ao ar, com sua sombrinha se abrindo e os perseguidores o perdendo de vista. Ele simplesmente sumiu no ar! 

A história possui muitos desfechos, porém, o mais importante é que o salto de Inácio foi imortalizado como um ato de coragem, de heroísmo, de liberdade e de resistência à escravidão. Assim, o morro passou a se chamar Morro do Pai Inácio.

6. A lenda do Minhocão do Velho Chico

Lenda do Minhocão do Velho Chico Lendas da Bahia
Lenda do Minhocão do Velho Chico - Lendas da Bahia

É mais uma das antigas lendas do folclore da Bahia. Contam os mais antigos, que os filhotes de “dourados” e “matrinxãs” disputavam os peixes piau como alimento, mas os piau pediram para os entes míticos do fundo do rio para que os predadores parassem de persegui-los. 

Os entes míticos então enviaram uma sereia para resolver a situação. Ela criou uma minhoca que cresceria toda vez que fosse comida, de maneira a alimentar os dois predadores e assim deixassem os piau em paz.

Quando a pesca predatória passou a acontecer no vale do rio São Francisco, o dourado e o matrinxã foram se extinguindo, ficando poucos predadores do minhocão, que cresceu assustadoramente e passou a atacar os que pescavam e navegavam pelo rio. 

Dizem ainda que quando o vento sopra forte, o minhocão fica enfurecido e cria ondas grandes para virar os barcos, que em dias de chuva ele causa desmoronamentos nos cânions do rio e em dias de sol, abre enormes grotas embaixo das casas dos ribeirinhos.

7. A lenda da Caipora

Lenda da Caipora Lendas da Bahia
Lenda da Caipora - Lendas da Bahia

Existem muitas histórias sobre a caipora, mas no Recôncavo Baiano ela é conhecida como protetora das matas, uma entidade de baixa estatura, de cabelos avermelhados, que aparece por vezes montada em um caititu e segurando uma lança. Seu assobio é alto e agudo, e quem o ouve sabe que é sinal da sua presença. Ela o entoa para confundir e assustar quem entra na mata desrespeitosamente. 

Em Nazaré das Farinhas, por exemplo, dizem que se xingar o nome “desgraça” na mata ou no rio Jaguaripe, a caipora aparece transformada em alguém ou algo, para confundir e fazer com que a pessoa se perca e nunca mais encontre o rumo de casa.

Há quem diga também que a caipora é a esposa do curupira, ou mesmo uma variação dele, sendo a caipora a guardiã dos animais e o curupira das árvores. Assim, ela é vista na região como uma entidade que exige respeito e conscientização ecológica, perseguindo caçadores de fêmeas prenhas e os fazendo enlouquecer na mata.

No tempo da escravidão, se contava que para caçar era preciso levar fumo-de-corda para a mata. Colocando-o no tronco de uma árvore em um dia de segunda-feira, o sujeito deveria proferir: “toma, caipora, deixa eu ir embora”.

8. A lenda da Ilha do Medo

Padre fantasma lenda da Ilha do Medo Lendas da Bahia
Padre fantasma em lenda da Ilha do Medo - Lendas da Bahia

A Ilha do Medo é a menor porção insular da Baía de Todos os Santos e fica bem em frente à Ilha de Itaparica. As histórias de assombração sobre esta ilhota vem desde o tempo dos tupinambás, já que ela era ponto de emboscada e local de muitas mortes em guerras de vingança entre eles.

Em 1861, foi inaugurado um edifício para fins de depósito de pólvora e quartel militar. Posteriormente, se tornou um leprosário, espécie de colônia de isolamento para portadores de hanseníase, que segundo contam, foram abandonados lá para morrer.

Esse histórico fomentou muitos mitos sobre sofrimento. Até hoje, os pescadores em geral evitam dormir na ilha, alegando que à noite se ouve gritos e lamentos dos que ali morreram.

Para tornar o local ainda mais fantasmagórico, as ruínas do antigo depósito de pólvora, quartel e posteriormente leprosário, ainda estão lá, tomadas pela mata. O lugar é realmente sinistro e passar uma noite sozinho lá é um bom teste de coragem.

Outros relatos dão conta que os gritos são de holandeses desesperados que ali morreram durante a invasão à Baía de Todos os Santos. Há uma outra história de um pescador que teria avistado uma mulher diabólica cuspindo fogo, e quando foi contar o que viu, simplesmente ficou mudo.

Porém, a história mais macabra é a do “fantasma do padre”. Dizem que um padre de Itaparica se recusou a rezar uma missa, sendo por isso condenado a viver na Ilha do Medo. Sua alma penada até hoje aparece à noite convidando quem se aproxima da ilha a assistir sua missa nunca realizada. 

Deu para entender agora a razão dessa ilhota ser conhecida como Ilha do Medo?

9. A lenda da Fonte da Bica em Itaparica

Lendária Fonte da Bica Itaparica
A lendária Fonte da Bica, na Ilha de Itaparica

Juntamente com o Forte de São Lourenço, a Fonte da Bica é um dos monumentos históricos mais antigos da Ilha de Itaparica, servindo a colonização portuguesa desde o séc. XVI. Ela é conhecida como a fonte da juventude e fé. 

Reza a lenda que suas águas são realmente rejuvenescedoras, e para se ter bom resultado, é preciso seguir a tradição, começando pelo fato de que a fonte não possui torneiras, e sim bicas (originariamente de bambu). Bebendo de uma por uma, a pessoa vai recebendo saúde, amor e dinheiro.

Também há uma crença de que a Sereia Iara ali se banhava e este era o seu segredo de nunca envelhecer.

10. A lenda do Nego D’água

Nego dagua
Lenda do Nego D'água no Rio São Francisco - Lendas da Bahia

A lenda do Nego d’Água é muito poderosa entre os ribeirinhos do rio São Francisco, especialmente na região de Juazeiro. O povo conta que é uma criatura de pele negra, escamosa, de baixa estatura, com mãos e pés de pato com garras, careca e de orelhas pontudas. Vive no fundo do rio e costuma aprontar com os pescadores que não lhe oferecem cachaça e fumo

Entre suas maiores travessuras, estão redes de pesca rasgadas, barcos virados e risadas assustadoras durante perseguições a ribeirinhos. 

Outra tradição dá conta que trata-se de um menino que, de tanto traquinar, foi jogado por pescadores no rio e nunca mais apareceu. Ele teria sido encantado, passando a viver nas águas como o Nego d’Água.

Para pescar sossegado, a pessoa precisa jogar fumo de rolo ou pinga no rio, assim consegue tranquilizar o Nego d’Água e realizar sua pescaria em paz. Em Juazeiro, há até uma estátua gigante de 12 metros em homenagem a ele.

11. A voz assustadora da Igreja do Carmo em Salvador

A Igreja da Ordem Terceira do Carmo foi construída por irmãos leigos a partir do séc. XVIII e é nela que está a imagem em tamanho natural do Senhor Morto. O detalhe é que a imagem possui cerca de 2 mil pedras de rubi em todas as partes do corpo onde há sangue, sendo por isso, sendo considerada a mais cara do mundo.

Lenda da Igreja do Carmo - Lendas da Bahia
Lenda da Igreja do Carmo - Lendas da Bahia

Reza a lenda baiana que uma turma de meninos estava jogando bola à noite e em frente a igreja, fazendo o barulho costumeiro dos jogos de futebol de rua. Em dado momento, ecoou uma voz de dentro da igreja: “silêncio”! E ninguém deu importância, imaginando que fosse algum padre chato querendo controlar a rua.

Subitamente os portões da igreja passaram a tremer e a fazer muito barulho, e não era vento. A meninada correu assustada, mas retornou na noite seguinte para conferir novamente o fenômeno. Após um tempo, novamente a voz ecoou, porém, na porta verde da igreja estava escrito de tinta branca: “silêncio”. 

Imediatamente o futebol acabou, todos correram assustados para casa e ninguém mais retornou para ver o que aconteceria depois.

Agora que você já sabe sobre algumas lendas da Bahia, conheça 4 lugares para a prática do turismo cultural no estado, são opções de destinos que somam belezas naturais com tradições genuínas.

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