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História da Bahia: conheça os principais acontecimentos

Postado dia 15/09/26 | 13min. de leitura

História da Bahia: conheça os principais acontecimentos

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A história da Bahia foi moldada pelo encontro entre portugueses, indígenas e africanos, expandindo-se do ciclo do açúcar no litoral para a pecuária e a mineração no interior. 

Essa trajetória forjou uma identidade cultural única, profundamente marcada por lutas em busca de liberdade, a exemplo das revoltas dos Búzios, dos Malês e da heroica guerra do Dois de Julho. 

No sertão, movimentos como Canudos e o Cangaço simbolizam a imensa resiliência do povo sertanejo diante das adversidades do seu tempo. 

História da Bahia pintura IA historiador Márcio Torres
História da Bahia - Ilustração criada com IA pelo historiador Márcio Torres

Hoje, o turismo na Bahia oferece uma forma imersiva de vivenciar esse vasto legado. Ao explorar centros históricos, casarios coloniais, igrejas seculares e antigas ruínas, o visitante realiza uma verdadeira viagem no tempo, valorizando a memória do Brasil e a herança viva de suas comunidades tradicionais. 

Continue conosco e conheça um resumo da história da Bahia!

História da Bahia: principais marcos

Antes das Capitanias Hereditárias: Tupis e Caramuru.

Antes da chegada dos europeus, a faixa litorânea baiana entre Porto Seguro e a Costa dos Coqueiros era densamente habitada por povos indígenas do tronco macro-tupi, sobretudo os Tupinambás. É nesse cenário de alianças e tensões entre etnias indígenas que se dá o primeiro contato ibérico mais duradouro.

Por volta de 1509 e 1510, um naufrágio nas proximidades do Rio Vermelho trouxe à costa o português Diogo Álvares Correia. Acolhido pelos Tupinambás, Diogo ganhou o apelido de "Caramuru" e se uniu a Guaibimpará, filha do principal Taparica e posteriormente batizada como Catarina Paraguaçu.

Encontro de Caramuru com Tupinambás pintura IA historiador Márcio Torres
Encontro de Caramuru com Tupinambás - Ilustração criada com IA pelo historiador Márcio Torres

Esse núcleo inicial se estabeleceu entre a Ponta do Padrão, local onde está instalado o Forte de Santo Antônio da Barra, e o Bairro da Graça, onde mais tarde foram erguidas as igrejas de Nossa Senhora da Graça e a de Nossa Senhora da Vitória. 

Essa primeira fase, que precede a divisão administrativa da colônia, foi marcada pelo extrativismo do pau-brasil, escambo e pelas frequentes ameaças de corsários franceses que rondavam o litoral. 

Para combatê-los, os portugueses enviaram diversas expedições guarda-costas, como as realizadas por Cristóvão Jacques, entre 1516 e 1526, e a expedição dos irmãos Pero Lopes de Sousa e Martim Afonso de Sousa, entre 1530 e 1532.

Capitanias Hereditárias: colonização portuguesa na história da Bahia

A partir de 1534, a Coroa Portuguesa decidiu sistematizar a ocupação do território via Capitanias Hereditárias. A Capitania da Baía de Todos os Santos foi doada a Francisco Pereira Coutinho, que se instalou no antigo povoado de Caramuru e Paraguaçu, local que então passou a se chamar Vila do Pereira. 

homem nas ruínas do Castelo Garcia d'Ávila
As ruínas do Castelo Garcia d'Ávila - Reprodução / Arq. pessoal Márcio Torres

No entanto, o projeto inicial falhou devido à forte resistência dos Tupinambás. Após conflitos intensos, Coutinho abandonou a capitania rumo a Porto Seguro e, ao tentar retornar, naufragou e foi morto pelos Tupinambás na Ilha de Itaparica, em meados de 1547.

Simultaneamente, ao sul da Bahia, a colonização começou a tomar contornos. Na Capitania de Ilhéus, os portugueses ergueram engenhos rudimentares e iniciaram o plantio da cana-de-açúcar. 

Ao norte de Salvador, iniciou a estruturação do poderio militar e latifundiário do primeiro Garcia d’Ávila, que construiu a Casa da Torre na região da Praia do Forte

Governo Geral e construção da Cidade da Bahia

Diante do fracasso da Capitania da Baía, o rei D. João III enviou Tomé de Sousa em 1549 para fundar a sede do Governo Geral do Brasil. Com ele chegaram muito mais colonos, jesuítas, militares e grande aparato, dando continuidade à história da Bahia.

A cidade de São Salvador da Bahia foi projetada em dois níveis geométricos e defensivos: a Cidade Alta, abrigando os edifícios de poder em torno da atual Praça Tomé de Sousa e irradiando em direção ao Terreiro de Jesus e à vigente Praça Castro Alves; e a Cidade Baixa, voltada ao comércio e ao porto, onde a matriz de fé se consolidou pela Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia

Praça Tomé de Sousa onde Salvador começou a ser construída em 1549
Praça Tomé de Sousa, onde Salvador começou a ser construída em 1549

A proteção dessa nova joia da coroa dependia de guarnições como o Forte de Santo Antônio da Barra e redutos religiosos costeiros, como a Igreja Nossa Senhora da Escada.

A defesa litorânea ia além da capital, estendendo-se às ilhas vizinhas para proteger o tráfego marítimo contra invasores como holandeses e corsários. 

O Arquipélago de Cairu e a Ilha de Tinharé ganharam grande relevância, resultando na construção da Fortaleza do Morro de São Paulo (Fortaleza Tapirandu) e de históricas matrizes como a Igreja de Nossa Senhora da Luz e a Igreja do Divino Espírito Santo em Boipeba

As embarcações da Bahia e a intensa navegação nos rios e mar aberto muitas vezes acabaram em tragédia, como o naufrágio da nau espanhola Madre de Dios, possivelmente ocorrido em uma praia de Boipeba. Em função do naufrágio, alguns cronistas antigos lhe deram o nome de Ponta dos Castelhanos. A navegação de cabotagem foi essencial para ligar o Recôncavo e o sul da Bahia ao coração do império ultramarino.

Plantation e formação econômica da sociedade colonial

Histórica cidade de Cachoeira Recôncavo da Bahia
A histórica cidade de Cachoeira, no Recôncavo da Bahia

A consolidação da Bahia baseou-se na economia de plantation, caracterizada por vastos latifúndios, monocultura da cana-de-açúcar e exploração do trabalho escravizado africano. O Recôncavo Baiano tornou-se o epicentro dessa riqueza, com vilas e freguesias crescendo vertiginosamente, a exemplo de Cachoeira e Santo Amaro da Purificação

Contudo, a sociedade colonial baiana ia muito além do açúcar. A economia de subsistência e o abastecimento interno tinham a farinha de mandioca como produto essencial, sendo as vilas de Boipeba, Cairu e Camamu suas principais produtoras. 

O fumo produzido no Recôncavo também foi fundamental para a economia, sendo utilizado como moeda de troca por africanos escravizados. O trabalho escravo sustentou toda essa engrenagem, mas também gerou uma cultura viva de resistência e sincretismo.

Expansão colonial pelos sertões

A ocupação da Bahia colonial não se restringiu à faixa litorânea e ao Recôncavo açucareiro. A partir do século XVII, a necessidade de abastecimento de carne e força motriz (bois) para os engenhos impulsionou a interiorização da capitania. Dois grandes latifúndios se destacaram nesse processo de conquista dos sertões: a Casa da Torre e a Casa da Ponte.

Livro O Feudo expansão colonial pelos sertões da Bahia
O livro "O Feudo", de Luiz Alberto Moniz Bandeira, é uma importante obra sobre a expansão colonial pelos sertões da Bahia

A Casa da Torre, originada com Garcia d'Ávila, cujo poderio é simbolizado pelas ruínas do Castelo Garcia d'Ávila, expandiu seus domínios por meio da instalação de currais de gado a partir da margem norte do Rio São Francisco. 

A regra era assim: invadiam, matavam e escravizavam indígenas e, como prêmio, recebiam terras em forma de sesmarias por parte da Coroa. Tamanha foi a dimensão territorial acumulada por essa família, que ela se constituiu como proprietária do maior latifúndio do mundo, com posse iniciando na Bahia e se estendendo até o estado do Maranhão.

Simultaneamente, a Casa da Ponte, fundada por Antônio Guedes de Brito, dominou vastas extensões do sertão central e do Alto São Francisco. Tal qual Garcia d’Ávila, a expansão dessa família também foi movida pela criação de gado. Mais um processo violento de expropriação territorial e extermínio de nações indígenas na história da Bahia. 

As casas da Torre e da Ponte foram as bases do coronelismo e da concentração fundiária no sertão brasileiro.

Interlândia e o “Conchavo da Farinha”

Entre o litoral mercantil e o sertão pecuarista, consolidou-se uma zona de transição crucial para a sobrevivência da colônia: a “Interlândia”. Enquanto os solos massapês do Recôncavo eram monopolizados pela cana-de-açúcar, áreas vizinhas de terra mais arenosa foram dedicadas à agricultura de subsistência, especialmente o cultivo da mandioca.

A monocultura açucareira seria insustentável sem essa economia paralela. O "Conchavo da Farinha", por exemplo, foi um acordo do século XVII que obrigou as vilas de Cairu, Camamu e Boipeba a fornecerem farinha de mandioca com cotas mínimas e preços tabelados. Tinha por objetivo solucionar a crise de abastecimento da capital e sustentar as tropas militares.

Como consequência, as autoridades proibiram o plantio de cana e a construção de engenhos nestas três vilas, forçando o empobrecimento da região frente à missão de sustentar e beneficiar a elite açucareira de Salvador. 

Resistência Aimoré nas Capitanias de Ilhéus e Porto Seguro

Ao sul da Baía de Todos os Santos, as capitanias de Ilhéus e Porto Seguro enfrentaram um cenário distinto e letal no final do século XVI, que se prolongou até o século XVIII. 

Mapa da Capitania Hereditária de São Jorge dos Ilhéus produzido por Albernaz em 1640
Mapa da Capitania Hereditária de São Jorge dos Ilhéus produzido por Albernaz em 1640

O avanço dos colonos sobre a Mata Atlântica esbarrou na feroz resistência dos Aimorés, também conhecidos como botocudos, guerens ou tapuias. Povos caçadores-coletores de grande destreza militar, os Aimorés não se submeteram ao aldeamento ou à escravidão, empreendendo surpreendentes táticas de guerrilha.

Em geral, seus ataques destruíram engenhos, inviabilizaram lavouras e dizimaram povoamentos inteiros, provocando o colapso econômico da região sul, desde Valença, Ituberá e Camamu, passando por Belmonte, até Porto Seguro. 

A Capitania de Ilhéus, antes próspera, estagnou, e a colonização do sul baiano foi paralisada por mais de dois séculos, sobrevivendo apenas em pequenos núcleos fortificados.

O ouro da Chapada

No início do século XVIII, a descoberta de jazidas auríferas reconfigurou o mapa econômico e demográfico da Bahia. O eixo de atenção colonial, antes voltado ao açúcar, migrou para a Chapada Diamantina Meridional e para a Chapada Diamantina Setentrional.

Foto antiga com a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento Rio de Contas
Foto antiga com a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento - Reprodução / Arquivo Público de Rio de Contas

Vale ressaltar o anacronismo do termo “Chapada Diamantina” quando relacionado a cidades situadas ao sul dessa região, que surgiram através da exploração do ouro cerca de 140 anos antes da mineração do diamante. Melhor mesmo seria classificar as chapadas meridional e setentrional como Chapada Aurífera, e não diamantina.

As primeiras vilas do ouro baiano surgiram em meio ao relevo acidentado. Rio de Contas tornou-se o centro administrativo da mineração no sul, onde seu Arquivo Público Municipal guarda, até hoje, uma das documentações coloniais mais ricas do país. Vale destacar que o povoado mais antigo da exploração do ouro na região se chama Vila Portuguesa do Mato Grosso, atualmente um distrito de Rio de Contas.

Outras cidades e vilas também fazem parte desse período, a exemplo de Piatã, Catolés e Livramento de Nossa Senhora. A extração aurífera dependeu massivamente do trabalho escravo africano, mas a topografia isolada da Chapada favoreceu também as fugas e a formação de quilombos, cujos descendentes resistem até a contemporaneidade, a exemplo da Comunidade Quilombola Camulengo, situada na zona rural de Barra da Estiva.

O diamante da Chapada

Se o século XVIII foi do ouro, o século XIX foi do diamante. 

A partir da década de 1840, a descoberta de ricas lavras diamantíferas no leito dos rios e serras da porção oriental da Chapada Diamantina deflagrou uma nova "febre". Garimpeiros, comerciantes, escravizados e aventureiros migraram em massa, fundando rapidamente cidades que enriqueceram à base do garimpo manual.

Foto antiga do garimpo de diamantes em Lençóis
Foto antiga do garimpo de diamantes em Lençóis

Mucugê, Lençóis e Andaraí tornaram-se os principais polos irradiadores de riqueza, criando uma classe dominante de "coronéis do diamante" com influência direta na política estadual e contato comercial com a Europa. 

A vila de Igatu, erguida inteiramente em pedra, é o testemunho arquitetônico do apogeu e do declínio brutal dessa era, sendo hoje conhecida como a "Machu Picchu baiana". 

Cidades de apoio logístico e comercial, como Seabra, também se consolidaram nessa malha viária. A sociedade do garimpo, embora mantivesse a escravidão, permitiu uma mobilidade social ímpar antes do esgotamento das lavras mais rasas impor à região um profundo isolamento econômico no início do século XX.

Revolta dos Búzios

A história da Bahia continua e, no crepúsculo do século XVIII, o ano de 1798 marcou a eclosão do movimento político mais radical do período colonial baiano: a Revolta dos Búzios. Diferente da Inconfidência Mineira, que teve forte caráter elitista, a sedição na Bahia caracterizou-se por sua base popular racializada.

Capa do filme Revolta dos Búzios historia da bahia
Capa do filme "Revolta dos Búzios" de 2024

Inspirados pelos ideais iluministas da Revolução Francesa e, sobretudo, pelas notícias da Revolução Escrava no Haiti, os conjurados baianos espalharam panfletos manuscritos pelas ruas de Salvador.

O movimento reuniu homens livres pobres, artesãos (daí o nome Revolta dos Alfaiates), soldados negros, mulatos e escravizados. Suas pautas exigiam a proclamação de uma República baiana, a abertura dos portos (livre comércio), a redução dos impostos, a igualdade de direitos e, de forma pioneira, a abolição da escravidão.

A repressão foi implacável e seletiva. Enquanto alguns intelectuais brancos e membros da elite maçônica receberam penas brandas, os líderes populares João de Deus, Manuel Faustino e os soldados Lucas Dantas e Luiz Gonzaga das Virgens foram condenados à morte, enforcados e esquartejados na Praça da Piedade, em Salvador, no ano de 1799. 

Dois de Julho: hegemonia da classe dominante agrária na história da Bahia

O processo de Independência do Brasil na Bahia distanciou-se do modelo pacífico do grito de 1822, configurando-se como uma intensa guerra civil e popular que perdurou até 2 de julho de 1823. 

O epicentro da resistência foi o Recôncavo Baiano, liderado por cidades como Cachoeira, Santo Amaro e São Francisco do Conde, que impôs um cerco estratégico a Salvador para isolar e deixar as tropas portuguesas do general Madeira de Melo sem suprimentos. 

Pintura Antônio Parreiras O Primeiro Passo para a Independência da Bahia História da Bahia
A famosa pintura de Antônio Parreiras: O Primeiro Passo para a Independência da Bahia relembra o momento em que a Câmara de Cachoeira aclamou o Príncipe Regente D. Pedro I como Defensor Perpétuo do Brasil, antes mesmo do famoso Grito do Ipiranga em 7 de setembro e com Tambor Soledade caído morto ao chão

O conflito estendeu-se ao mar, destacando-se a posição estratégica de Itaparica e Saubara, e as vitórias táticas do Tenente João das Botas contra a poderosa esquadra lusitana. 

Embora o triunfo baiano tenha sido conquistado com o sangue e o protagonismo popular, envolvendo indígenas, negros escravizados e libertos, caboclos e mulheres históricas como Maria Quitéria e Maria Felipa, o desfecho político frustrou as aspirações de igualdade da base da sociedade. 

Após a expulsão portuguesa, a classe dominante agrária assumiu o poder, alcançando a emancipação política enquanto blindava a ordem social opressora. As demandas das trincheiras foram silenciadas, garantindo que a nação independente avançasse sob a manutenção da estrutura latifundiária e da escravidão.

Revolta dos Malês

Em 1835, Salvador sediou a Revolta dos Malês, o maior levante urbano de escravizados do Brasil. Articulada por africanos islamizados e alfabetizados em árabe, a rebelião buscava acabar com a escravidão, combater a intolerância religiosa e instaurar uma república islâmica. Delatado horas antes, o movimento foi violentamente reprimido. 

Capa do filme Revolta dos Malês História da Bahia
Capa do filme "Revolta dos Malês" de 2023

O episódio aterrorizou a elite escravocrata, resultando em severas punições, deportações e no endurecimento das leis de controle sobre a população negra. 

Abolição: abandono e formação das comunidades quilombolas e ribeirinhas

Com a abolição da escravatura em 1888, a população negra na Bahia não foi integrada à nascente sociedade de classes ou ao mercado de trabalho formal. 

No Recôncavo Baiano, por exemplo, o declínio dos antigos engenhos de açúcar resultou no abandono de vastas áreas, deixando os recém-libertos à própria sorte.

Diante desse cenário de exclusão, muitas famílias negras migraram para áreas periféricas ou isoladas, formando e consolidando comunidades quilombolas e ribeirinhas. No litoral e no estuário de rios, a economia de subsistência voltou-se essencialmente para o extrativismo da pesca e da mariscagem, além de pequena agricultura. 

Na Chapada Diamantina, com a decadência dos garimpos de ouro e diamante, o isolamento permitiu a preservação de laços comunitários fortes em territórios quilombolas e comunidades de brancos empobrecidos que descendiam de garimpeiros. 

A ocupação das matas ciliares e das serras tornou-se um ato contínuo de resistência territorial e cultural contra a hegemonia latifundiária que ainda ditava as regras na província.

Canudos: história e memória no sertão da Bahia

Foto de Flávio de Barros produzida em 1897 400 sobreviventes de Canudos História da Bahia
Foto de Flávio de Barros produzida em 1897, com 400 sobreviventes de Canudos. 60 homens inválidos foram degolados após a foto, mulheres estupradas e crianças separadas das mães e levadas por oficiais do exército como troféus

No final do século XIX, a miséria e a concentração fundiária no sertão baiano impulsionaram a criação do povoado de Canudos (Belo Monte), liderado por Antônio Conselheiro.

A comunidade autossustentável e coletivista reuniu milhares de camponeses e ex-escravizados, libertando-os da opressão dos coronéis. 

Visto como uma ameaça política pela recém-proclamada República, o arraial foi difamado e, após resistir a três ofensivas, acabou brutalmente massacrado pelo Exército Brasileiro em 1897. 

Cangaço no sertão da Bahia

Entre as décadas de 1920 e 1930, o Cangaço emergiu no sertão nordestino essencialmente como tributário da violenta opressão coronelista. Esse banditismo social, liderado por figuras como Lampião e Maria Bonita, consistiu em uma resposta armada à miséria e ao monopólio de poder das classes dominantes dos sertões nordestinos.

Atuando de forma nômade, os cangaceiros evidenciaram a ausência do Estado e, reprimido durante o Estado Novo, o movimento deixou raízes profundas na cultura popular

Lampião Maria Bonita bando de cangaceiros foto Benjamin Abrahão 1936 História da Bahia
Lampião, Maria Bonita e bando de cangaceiros em foto produzida por Benjamin Abrahão em 1936

Compreender a rica história da Bahia é um passo fundamental para valorizar as raízes e as resistências que formaram o Brasil. Contudo, essa memória viva vai além dos fatos oficiais e ganha contornos fascinantes por meio do imaginário popular. Para continuar sua imersão cultural, conheça agora 11 lendas da Bahia que atravessam gerações e ainda despertam a curiosidade de quem as conhece!

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Por Márcio Vasconcelos de O. Torres

Historiador e viajante - marciotorresbb@gmail.com

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